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O futuro dos bancos de dados na internet

Por Taina Mansani (Cientista Social/ USP e jornalismo/ Cásper Líbero)

“Como fazer dados falarem?” Essa tem sido a preocupação de Aron Pilhofer, diretor de interatividade do jornal norte-americano The New York Times. Em palestra sobre Data-driven journalism: o futuro dos bancos de dados na internet, Pilhofer falou sobre como a linguagem web pode auxiliar na visualização dos dados para mostrar o que é importante.

Ele é responsável por uma equipe de repórteres e programadores que “contam histórias” através de ferramentas da internet. Pilhofer concorda que, além da interatividade, a web pode ser um campo em expansão para o trabalho jornalístico. O profissional que dominar essa linguagem certamente terá espaço no mercado de trabalho, que é concorrido.

Aron Pilhofer (The New York Times)

Para o moderador da palestra e diretor de infografia e multimídia da revista Época, Alberto Cairo, se há uma área dentro do jornalismo que está em expansão é a visualização de dados na internet.

Pilhofer é pioneiro no trabalho com bancos de dados em linguagem acessível na web. Também foi editor do banco de dados do “Center for Public Integrity” (organização sem fins lucrativos que atua para transparência de informações e auxílio ao jornalismo investigativo).

A palestra Data-driven journalism: o futuro dos bancos de dados na internet foi realizada das 14h as 15h30 no dia 02 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). O palestrante foi a jornalista Aron Pilhofer (The New York Times).

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Banco de dados oferece independência de conexão e otimização de tempo

Por Michelle Magri (4º ano/ Uninove)

A utilização de bancos de dados no jornalismo não é algo novo. Desde a década de 80 as redações já eram informatizadas. Com a implementação das técnicas de reportagem que usam o computador como ferramenta principal, a chamada Reportagem Assistida por Computador (RAC), tornou-se mais simples e pertinente o armazenamento de conteúdos.

Para o jornalista, mestre em políticas públicas e editor no Webinsider, Paulo Rebêlo, todo jornalista deve saber as regras da RAC. “Se você é jornalista tem que ter muita precisão no que faz, então, aprender a usar as técnicas avançadas do Google é fundamental. Isso vai servir não só para alimentar seu banco de dados, mas para você produzir suas matérias e sem erro”, ressalta.

A cobrança pela produção imediata de conteúdo aliada ao excesso de tarefas faz com que o jornalista nem sempre salve as informações levantadas naquele dia. Porém, segundo Rebêlo, é extremamente vantajoso fazer um esforço para armazena-las,- “Quando montar um banco de dados você vai saber o que tem ali dentro; vai ter uma precisão muito maior do que se você recorrer ao Google. O que é mais importante é a independência da conexão, com o seu banco, você perde a dependência pela internet, além disso, você otimiza o tempo ao procurar um dado”.

Segundo o jornalista, toda informação que existe pode ser transformada em arquivo e por isso deve ser armazenada: “Eu acho que tem que guardar tudo que é arquivo: ‘reportagens, estudos, teses, fotos, vídeos e etc’. Para isso, basta organizar da melhor forma possível esse conteúdo e não precisa ter um computador potente”, diz. “Contrariando o senso comum, o banco de dados não ocupa espaço. Eu guardo meu ‘pequeno google de bolso’, que tem 12 anos, em um pen drive de apenas três gigas”, conta.

Pensando na compactação dos arquivos, Rebêlo sugere salvá-los no formato PDF, por ser leve e porque pode ser aberto em qualquer sistema. Para ele, salvar as informações no formato DOC é perda de tempo: “o word não foi feito para lidar com arquivos grandes. “Se você salvar em DOC, vai lidar com um problema sério de velocidade. Portanto, o PDF é o formato mais universal, mais rápido e mais simples”, comenta.

Na era do jornalismo digital, novos softwares tornaram simples a adoção de bancos de dados inteligentes que auxiliam profissionais de comunicação na procura pelo material produzido. “Para quem utiliza o PC o programa indicado é o DTSearch, já para quem utiliza o Mac o melhor é o DevonThink, ambos realizam a busca do conteúdo do texto e não apenas da descrição”, explica Paulo, que define o banco de dados como uma forma de sistematizar informações.

Quando o assunto é segurança digital, Paulo alerta para as ‘espetadas’ dos pen drives nos computadores desconhecidos. Segundo ele, principalmente em lan houses, há hackers que instalam programas capazes de copiar automaticamente todas as pastas e documentos do pen drive. Por isso, para driblar a armadilha, o recomendado é criptografar o objeto. “O jeito mais simples é baixar um programa chamado TrueCrypt, que é gratuito e atende todas as plataformas, e então instalar, criar uma senha e criptografar. A criptografia é uma segurança de que ninguém vai ter acesso a seus dados”, alerta.

 

A palestra Banco de dados no jornalismo para iniciantes foi realizada das 9h às 10h30 de 2º de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Palestrante: Paulo Rebêlo (e-mail rebelo@gmail.com).

 

Abraji dá início ao 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo com recorde de participantes

Está tudo pronto para o início do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). O encontro começa nesta quinta-feira, 30 de junho, e reunirá os maiores nomes do jornalismo investigativo do Brasil e do mundo. Dados preliminares indicam a participação de 800 pessoas, entre profissionais, estudantes, professores, e pós-graduandos em comunicação – e neste ano as inscrições continuam abertas mesmo durante o evento.

Uma equipe de recém-formados e estudantes de jornalismo ligados ao projeto Repórter do Futuro, da Oboré (www.obore.com), será responsável pela cobertura oficial do congresso. Reportagens sobre todas as palestras poderão ser lidas no blog https://6congressoabraji.wordpress.com/. As apresentações e os contatos dos palestrantes também serão disponibilizados nesse canal.

Realizado anualmente desde 2005, o Congresso deste ano contará com mais de 70 painéis e cerca de 120 palestrantes e moderadores de diversos países (Estados Unidos, Inglaterra, Dinamarca, Argentina, El Salvador, Paraguai e Islândia).

“O Congresso da Abraji se transformou numa grande ágora dos repórteres brasileiros. Uma vez por ano, este é o maior evento para compartilhar experiências, trocar dicas sobre reportagens e melhorar o padrão do jornalismo no país” afirma Fernando Rodrigues, presidente da Abraji.

Como um dos principais objetivos é a capacitação de jornalistas, o evento é dividido em workshops e palestras cujo principal tema, neste ano, é o jornalismo on-line. Os workshops acontecem no primeiro dia e abordam técnicas de RAC (Reportagem com Auxílio do Computador), investigação de gastos públicos, Índice de Desenvolvimento Humano, interpretação de balanços de empresas privadas entre outros temas ligados ao dia-a-dia de repórteres e editores.

Em todas as edições do Congresso, a Abraji presta homenagem a profissionais da comunicação cujo trabalho contribua de maneira notável para o bom jornalismo. Neste ano, a diretoria da associação escolheu por unanimidade homenagear o jornalista e professor Rosental Calmon Alves, fundador e atual diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas e responsável pelo lançamento da primeira versão on-line de um jornal no Brasil, o “Jornal do Brasil on line”. Na sessão solene, marcada para sexta-feira, 1º de julho, às 11h da manhã, Rosental fará uma conferência sobre o estado do jornalismo investigativo e seus desafios na era digital.