Em palestra, jornalistas discutem se conteúdos na internet podem ser integrados à TV

Por Taina Mansani (Cientista Social/USP e jornalismo/Cásper Líbero)

Fotos: Lina Ibañez

Rafael Coimbra (Globo News)

No contexto social em que até o Papa Bento XVI fez uso da internet para tuitar através de um tablet, o repórter e apresentador Rafael Coimbra (Globo News) defende que o advento das novas mídias não excluirá a TV. “Ainda que a internet seja um mundo infinito, existe a preocupação de uma mídia em alimentar a outra”, afirma.

Segundo Coimbra, as pessoas estão aprendendo a usar os conteúdos jornalísticos, mas nem todos sabem como fazer. “Seja de forma independente ou em parceria com os grandes veículos de comunicação, será possível aproximar o trabalho amador ao dos veículos”, diz.

A experiência da CNN norte-americana mostra que é possível obter conteúdos de amadores sem comprometer questões éticas, citou, como exemplo, o jornalista. O procedimento desse veículo, com a atuação de um “curador”, é postar vídeos enviados por amadores, e sem edição, apenas indicados no site como não modificados. Nesse sentido, as diferentes mídias, que no Brasil seriam vistas como inimigas, poderiam se integrar.

A outra participante da mesa, Márion Strecker, cofundandora do primeiro portal de internet no Brasil, o portal UOL, questionou, no entanto, se o exemplo do curador da CNN não se trataria também de uma forma de edição.

Strecker, que foi protagonista do advento dos portais no Brasil, mencionou em   palestra que a internet tem modificado a percepção das pessoas, inclusive, no que diz respeito à maneira como elas assistem televisão. “No atual cenário, a novas mídias dominam a internet e ajudam a mudar o mundo, e os jornalistas devem estar preparados para lidar com essas mudanças”.

Coimbra foi questionado, em entrevista, sobre como a integração entre a TV e as novas mídias poderia proporcionar maior reflexão a respeito dos conteúdos por parte dos usuários, para além do consumo instantâneo da notícia. Segundo ele, é possível trabalhar diferentes conteúdos para que consumidor da notícia tenha acesso à informação como ele preferir, seja ela mais curta ou mais aprofundada.

Márion Strecker

Para Coimbra, não haveria espaço para discussões sobre conflitos ideológicos em torno da veiculação das notícias, sobretudo pelo tempo escasso de produção. “Se é notícia, ela vai acontecer em algum lugar do mundo em alguma plataforma […] não há mais tempo hoje para decidir o que pode ou que não pode, não há como negar a informação”, afirma.

A palestra Integração e TV on-line: o que o espectador tem a ganhar foi realizada das 16h as 17h30 no dia 01 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). O palestrante foi Rafael Coimbra (Globo News) e Márion Strecker (UOL).

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Publicado em 2 de julho de 2011, em Jornalismo on-line e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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