Arquivo do autor:Luana Copini

Bastidores da cobertura oficial do congresso

Por Luana Copini (4º ano/Mackenzie)

Pelo segundo ano consecutivo a Cobertura Oficial do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo foi feita pelos jovens, estudantes e jornalistas, do Projeto Repórter do Futuro.

O resultado desta parceria pode ser acompanhado nas páginas deste blog. Matérias, fotografias e produtos audiovisuais, todo conteúdo produzido durante os 3 dias de congresso ficará disponível para eventuais consultas, análises e até mesmo pesquisas.

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X Curso sobre Jornalismo e Conflitos Armados é lançado no 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo

Por Luana Copini (4º ano/Mackenzie)

Fotos: Vinicius Gorczeski (4º ano/Metodista) e Luana Copini (4º ano/Mackenzie)

Sob o comando do jornalista João Paulo Charleaux (Últimas Instâncias) foi apresentado aos jornalistas e estudantes universitários, que participaram da palestra Medidas de proteção para jornalistas em cobertura de conflitos armados, neste último dia 30, na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, o X Curso sobre Jornalismo e Conflitos Armados.

João Paulo Charleaux (Última Instância)

O curso não se restringe apenas aos estudantes paulistanos, mas sim aos universitários de todo o Brasil que querem ser jornalistas. Todos têm a oportunidade de participar do X Curso de Informação sobre Jornalismo em Conflitos Armados e outras Situações de Violência, que será ministrado de 20 de agosto a 29 de outubro, em São Paulo.

O curso é promovido pela CICV em parceria com a OBORÉ e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, e é realizado pelo Projeto Repórter do Futuro.

Seus principais objetivos consistem em conscientizar os participantes sobre temas do Direito Internacional Humanitário, além de abordar dispositivos legais necessários para analisar, interpretar, opinar e reportar as situações humanitárias resultantes de conflitos armados e situações de tensões internas.

Dentre os palestrantes estão militares, policiais, especialistas em direito internacional e jornalistas, todos apostando no aprendizado complementar sobre as normas internacionais aplicáveis em situações de conflito armado e outras situações de violência, além de situar o trabalho da imprensa nestes contextos.

Clique aqui para baixar o Cartaz Original

Ao todo, são 20 vagas oferecidas exclusivamente a estudantes universitários que tenham interesse nessa área do jornalismo. Os interessados em participar da seleção devem preencher uma ficha de pré-inscrição, disponível de 1º a 15 de agosto na página da OBORÉ: www.obore.com

A seleção será realizada no dia 20 de agosto, durante um encontro de confraternização com a presença do chefe da delegação regional do CICV para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, Felipe Donoso.

Programação

20 de agosto – sábado – 9 horas
Encontro de confraternização e seleção de candidatos.
Apresentação de Felipe Donoso, chefe da delegação do CICV para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.

3 de setembro – sábado – 8h30
Oficial do Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx)

10 de setembro – sábado – 8h30
Coronel André Vianna, da reserva da Polícia Militar de São Paulo

17 de setembro – sábado – 8h30
Gabriel Valladares, assessor jurídico do CICV

24 de setembro – sábado – 8h30
Samy Adghirni, jornalista da Folha de S. Paulo e especialista em assuntos do Oriente Médio e política externa

29 de outubro – sábado – 9 horas
Avaliação do curso, entrega de certificados e Reembolsas

A palestra Medidas de proteção para jornalistas em cobertura de conflitos armados foi realizada das 9:00h às 12:30h de 30 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Os palestrantes foram: João Paulo Charleaux  (e-mail: jpcharleaux@gmail.com),  Andrei Netto  (e-mail: andrei.netto@grupoestado.com.br –download da apresentação) , Sandra Lefcovich(e-mail slefcovich@icrc.org – download da apresentação) e Rodney Pinder (e-mail: pinder.rodney@newssafety.org)


Brasil ainda está longe de garantir o acesso à informação pública

Da Redação

Foto: Luana Copini (4º ano/ Mackenzie)

Mesmo com a eventual aprovação do projeto da lei nacional de Acesso à Informação Pública e com as diversas leis que aumentaram a transparência das operações governamentais do país, o Estado brasileiro ainda está longe de garantir aos veículos de comunicação o direito à informação pública.

É o que mostra os dados do Mapa de Acesso 2011, pesquisa da Abraji conduzida por Ivana Moreira, diretora da associação e chefe de redação da Band News FM de Belo Horizonte.

Ivana Moreira (BandNews FM/Abraji)

A pesquisa foi apresentada durante a palestra “Lei de Acesso a Informações Públicas no Brasil – Mapa do Acesso”. O pesquisador da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) Guilherme Canela e o jornalista Fernando Oliveira Paulino, da Universidade de Brasília, também participaram do debate, que fez parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji.

Realizado desde 2006, o Mapa de Acesso consiste em um trabalho de apuração em que jornalistas ligados à Abraji pedem certas informações públicas a órgãos dos três Poderes e, faz o levantamento de quantos são realmente transparentes.

Neste ano, o estudo tentou verificar o grau de transparência de Estados em relação às informações da segurança pública. Foram solicitadas três informações, divididas ano a ano e referentes ao período entre 2007 e 2010: o orçamento executado por unidade prisional,o número de detentos por unidade prisional e o gasto por detento.

Dos 27 governos consultados, apenas 14 responderam às questões, ainda que fossem incompletas. Os outros 13 não deram retorno. Entre aqueles que repassaram as informações, nota-se um aumento da transparência, sobretudo no Sudeste, diz Moreira. “Existe hoje nos governos do sudeste uma preocupação maior do que em estados onde o trabalho da mídia é menos intenso”.

Lei de Acesso

Outro ponto discutir o durante a palestra foi o projeto de lei que regulamentará o acesso à informação pública, que está tramitando no Senado Federal. Mas a provável aprovação do instrumento, diz Canela, não garante a transparência das instituições. “Se aprovar está sendo difícil, implantar já é outra batalha”.

O maior obstáculo para isso, segundo ele, é a resistência por parte dos servidores públicos. “Os funcionários pensam que estam ajudando o governo quando não repassam as informações”. Ele também deu exemplos de experiências mau sucedidas, como na África do Sul, em que a legislação é avançada, “mas não teve órgão independente para fiscalizar”.

A falta de um órgão competente também foi mencionada por Moreira. “Não que ela [a lei] não vá ser implantada aqui por causa disso, mas é um risco. Nos Estados Unidos, por exemplo, funcionou razoavelmente bem, mas teve falhas, reconhecidas pelo governo Obama”, diz.

A palestra “Lei de Acesso a Informações Públicas no Brasil – Mapa de Acesso 2011” foi realizada das 11h às 12h30 de 2 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br).

Palestrante(s): Guilherme Canela (UNESCO),  Fernando Oliveira Paulino (UnB/Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas) Ivana Moreira (BandNews FM/Abraji) Download das apresentações: Apresentação 01, Apresentação 02, Apresentação 03

Investigação criminal e os avanços tecnológicos na área

Por Aline Santana (4º ano/Mackenzie)

Foto: Luana Copini (4º ano/Mackenzie)

Em formato inusitado, com um dos participantes via Skype, aconteceu no sábado (3) a palestra “DNA: o avanço das investigações policiais”, com a participação de Joe Blozis, ex-chefe do CSI (Crime Scene Investigation) da Polícia de Nova York, Hélio Buchmüller, presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais e Steve Weinberg, diretor-executivo da Investigative Reporters and Editors (IRE). Eles discutiram o uso de tecnologias cada vez mais sofisticadas na investigação.

Joe Blozis (CSI Polícia de Nova York)

Blozis explicou como funciona o trabalho da polícia novaiorquina e, muito bem humorado, chegou a dizer que era bem diferente do que assistimos nos seriados de televisão, “As ferramentas de investigação não estão tão avançadas assim”.

Um dos pontos principais apontados pelo policial que comandou o CSI de Nova York durante 13 anos foi quando falou da investigação criminal baseada nos traços de DNA do local do crime. Também mostrou a importância de um banco de dados e como este é um caminho para se precisar como se deu o crime, evitando assim que inocentes paguem por atos que não cometeram.

E utilizando-se da tecnologia para enriquecer a discussão, por meio do Skype Weinberg comentou sobre os avanços e o uso da tecnologia da apuração e investigação jornalística em seu país.

Buchmüller expôs o projeto brasileiro de banco de DNA, que funcionaria com a esfera estadual em parceria com a Polícia Federal. Buchmüller frisou que as tecnologias em investigações criminais andam a passos lentos no Brasil. A palestra seguiu à discussão sobre a disponibilização do banco de DNA para investigações criminais e qual o papel da imprensa para divulgar a causa no Brasil, na medida em que ajudaria a Justiça a obter provas mais contundentes sobre determinado crime e, principalmente, sobre os culpados.

A palestraDNA: o avanço das investigações policiais” foi realizada das 11h às 12h30 de 2 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Palestrante(s): Hélio Buchmüller (Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais)Joe Blozis (CSI Polícia de Nova York) Steve Weinberg (diretor-executivo da Investigative Reporters and Editors)

Veículos são criticados pela má cobertura sobre as preparações para a Copa de 2014

Da Redação

Foto: Vinicius Gorczeski (4° ano/ Metodista)

A três anos da abertura da Copa do Mundo no Brasil, já é consenso de que as obras de estádios e infraestrutura do país estão muito atrasadas e que, ao contrário do prometido, o poder público está entrando com investimentos milionários em forma de isenção de impostos.

Com a pressa para entregar os estádios e aeroportos a tempo para o evento, abre-se uma brecha para a corrupção que repete o que foi visto no Pan-Americano realizado no Rio de janeiro em 2007, avaliam os jornalistas esportivos Mauro Cezar Pereira, da ESPN, e José Cruz, do UOL. Ambos participaram da palestra “Como investigar obras para a Copa do Mundo 2014”, durante o 6º Congresso Internacional da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

Para os dois palestrantes, existe uma conivência entre os veículos de comunicação ao falar sobre a seleção brasileira e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Pereira mencionou um episódio ocorrido em março deste ano, quando a Fifa (órgão mundial do esporte) criticou a organização da Copa de 2014 pelo atraso no cronograma.

“No dia seguinte, enquanto a Folha [de S. Paulo] deu uma matéria falando dos atrasos, a Globo deu na manchete: ‘Calma Fifa’. É assustador”, diz o jornalista da ESPN.

José Cruz, Mauro Cezar Pereira e Plínio Bortolotti

A abordagem ufanista também acaba omitindo o real significado dos altos valores das obras. Pereira comparou o custo das obras do Maracanã e do “Itaquerão” (provável nome do eventual estádio do Corinthians), que estão previstos em R$ 1 bilhão cada,segundo as contas atuais, e a nova arena do Palmeiras, que está orçada em R$ 300 milhões, de acordo com a WTorre, construtora do estádio.

“É claro que tem uma coisa errada, mas se o jornal fala o valor de 1 bilhão sem comparar, o cara vê  e pensa:  ‘Ah, deve custar isso mesmo´. As pessoas não se escandalizam mais com as cifras da Copa do Mundo. E não é assim”, afirma.

Cruz mencionou o exemplo do Panamericano de 2007, realizado no Rio de Janeiro, para explicar que, mesmo que os gastos não estivessem superfaturados, não haverá legado social para as cidades que ganharão um novo estádio, ou mesmo para a capital fluminense que abrigará as Olimpíadas em 2016. “Não teve legado social do Pan para a cidade [do Rio de Janeiro]”.  Segundo o jornalista, relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) afirmam que os jogos de 2007 custaram R$ 3,5 bilhões.

Além do custo total, Cruz mencionou uma série de irregularidades apontadas pelo TCU nos gastos do evento. “O relatório do TCU apontou que compramos 5.000 tochas, mas recebemos apenas 500. E também superfaturaram em tecnologia da informação. Faltando um mês, a Polícia Federal disse que as instalações compradas não eram adequadas”. Isso causou uma compra às vésperas do evento, conclui, que gerou um superfaturamento de 16.000%.“Nós estamos vendo isso se repetir e precisamos ficar atentos”.

As empreiteiras, os dirigentes do futebol e os políticos são os principais responsáveis pelo atraso das obras, dizem os dois jornalistas. “Quem são os principais financiadores de eleição? São as empreiteiras. A nossa política é dependente de pessoas que têm interesse que as coisas continuem assim”.

Governo federal

Desde a chegada de Lula ao Planalto, dizem os palestrantes, Ricardo Teixeira voltou a ter um poder que ele havia perdido no segundo mandato do Fernando Henrique Cardoso. “No governo FHC e a CPI da CBF, Ricardo Teixeira nem ia à Brasília. Mas, o Agnello [Queiroz, que assumiu o recém-criado Ministério do Esporte entre 2003 e 2006] quis se aproximar do futebol”, explica Cruz.

O jornalista do UOL afirma que o objetivo de Lula na época era usar a seleção brasileira para pavimentar o seu caminho político internacional. “Assim, eles colocaram o Brasil na agenda das competições internacionais”.

Oito anos depois, Ricardo Teixeira ganhou um poder no país que nenhum político tem, avalia Pereira, tornando governadores, deputados e presidentes submissos ao presidente da CBF.

“Até o Geraldo Alckmin pretendia ir até o CT do Corinthians quando a seleção treinava lá para conversar com o Ricardo Teixeira, que não estava lá. Não satisfeito, o governador de São Paulo foi até o Rio de Janeiro para tirar uma foto patética ao lado do presidente da CBF”, diz Pereira.

A palestra Como investigar obras para a Copa do Mundo 2014 foi realizada das 9h às 11h30 de 2 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji(www.abraji.org.br). Palestrantes: José Cruz (UOL), Mauro Cezar Pereira (ESPN) (download da apresentação). Moderador: Plínio Bortolotti (O Povo/Abraji)

O jornalista de investigação, peça clave na imprensa de fronteira

Por Andrea Rivera (4°ano/ Universidad Carlos III de Madrid/ Intercâmbio na Universidade de São Paulo)

“No Paraguai, a imprensa é o meio de comunicação que mais influencia exerce sobre a população e, além disso, é muito melhor do que a imprensa brasileira”, indicou o mediador José Roberto de Toledo na apresentação da palestra “Investigação transnacional: as conexões do PCC com o narcotráfico no Paraguai”, que contou com a presença do jornalista paraguaio Rosendo Duarte como palestrante.

A conferência foi uma explicação de como o Primeiro Comando da Capital (PCC) se tornou a principal organização criminosa no Paraguai, embora esteja presente em toda a América Latina. Além disso, Duarte prestou uma especial dedicação para a cidade Salto del Guairá, na que o PCC teve a sua origem no país vizinho.

Rosendo Duarte (ABC Color)

Como a principal atividade do PCC no Paraguai destaca o comércio de drogas, principalmente a a maconha, considerada a melhor do mundo. Essa atividade se vê facilitada pelo fato de que no Paraguai são utilizadas aproximadamente de 3 a 5 mil hectares por ano para a produção de marijuana dedicada ao consumo externo, superfície de terra que rende uma produção que oscila entre os 9 e 15 milhões de quilogramas.

Para combater essa realidade, foi criada a Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) a qual, no ano passado, destruiu 1,013 hectares de terra dedicada à plantação de maconha, o que daria uma produção de 3,040,000 quilogramas.

Historicamente, o tráfico de drogas e armas no Paraguai começa com a instauração da República, fato que se viu motivado com que a marijuana é nativa do país e desde sempre foi utilizada pela comunidade dos Guaranis nos seus rituais e cultos. Hoje, foram trazidas da Europa sementes modificadas que oferecem uma maior qualidade e, na composição, 22% a mais de uma droga ainda mais forte, a THC, a abreviação para tetrahidrocanabinol, um composto químico encontrado na planta cannabis, que, quando usado, seja através de ingestão ou inalação, em doses baixas atua como redutor da dor e pode reduzir a agressividade, estimular o apetite e ajudar a reduzir a náusea. Em doses elevadas podem levar a alterações na percepção de tempo e espaço, sentimento de felicidade, ou sentimentos de fadiga.

O PCC chegou ao Paraguai entre os anos 2004 e 2005 e foi constituído, na sua maior parte, por delinquentes que fugiram do Brasil. Não obstante, também conta com os chamados “soldados brancos”, isto é, fichas limpas que unicamente vão fazer negócios de contrabando ou de abastecimento de entorpecentes, e voltam para o Brasil. Os delinquentes que se afiançam no país vizinho procuram uma nova identidade, tanto brasileira quanto paraguaia, ajudados pela corrupção policial existente.

Dentro dessa situação em que os delinquentes conseguem novas identidades, para Duarte resulta hilário que eles nunca são reconhecidos digitalmente, nem no Paraguai nem no Brasil, situação que facilita a sua ocultação, e dificulta o conhecimento real de quem são.

Outra realidade que resulta incoerente para Duarte é o fato de que as armas e as drogas não encontram resistência nas fronteiras. Seguindo esta linha, o palestrante considera que o grande problema que o jornalismo investigativo tem no Brasil é que não se investiga como é possivel o transporte dessas armas e drogas quilômetro atrás de quilômetro sem nenhum impedimento.

Os assistentes à palestra também puideram conhecer a história de Cándido Clovi, quem foi conhecido como Adrian Alex Lima e como “Cabelo”, homem que levou o estilo do PCC ao Paraguai em 2005 e se viu envolvido em vários atracos e assasinatos perpetrados em Salto del Guairá.

Para Duart, existe uma “necessidade de trabalhar conjuntamente no jornalismo investigativo”, embora esse tipo de jornalismo não seja fácil” pois, no seu caso pessoal, tem que ter viver com um policial nas suas costas, situação que apontou ser “comum na imprensa de fronteira”.

A palestra Investigação transnacional: as conexões do PCC com o narcotráfico no Paraguai foi realizada das 11h às 12h45 de 02 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). A mesa foi moderada pelo jornalista José Roberto de Toledo (toledo@abraji.org.br). O palestrante foi:  Rosendo Duarte (Rduarte@abc.com.py) (

O futuro dos bancos de dados na internet

Por Taina Mansani (Cientista Social/ USP e jornalismo/ Cásper Líbero)

“Como fazer dados falarem?” Essa tem sido a preocupação de Aron Pilhofer, diretor de interatividade do jornal norte-americano The New York Times. Em palestra sobre Data-driven journalism: o futuro dos bancos de dados na internet, Pilhofer falou sobre como a linguagem web pode auxiliar na visualização dos dados para mostrar o que é importante.

Ele é responsável por uma equipe de repórteres e programadores que “contam histórias” através de ferramentas da internet. Pilhofer concorda que, além da interatividade, a web pode ser um campo em expansão para o trabalho jornalístico. O profissional que dominar essa linguagem certamente terá espaço no mercado de trabalho, que é concorrido.

Aron Pilhofer (The New York Times)

Para o moderador da palestra e diretor de infografia e multimídia da revista Época, Alberto Cairo, se há uma área dentro do jornalismo que está em expansão é a visualização de dados na internet.

Pilhofer é pioneiro no trabalho com bancos de dados em linguagem acessível na web. Também foi editor do banco de dados do “Center for Public Integrity” (organização sem fins lucrativos que atua para transparência de informações e auxílio ao jornalismo investigativo).

A palestra Data-driven journalism: o futuro dos bancos de dados na internet foi realizada das 14h as 15h30 no dia 02 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). O palestrante foi a jornalista Aron Pilhofer (The New York Times).

Investigação nos esportes: “Para perturbar os poderosos”

Por Marta Santos (2º ano / PUC-SP)

Para Andrew Jennings, único jornalista banido de todas as conferências da FIFA, o trabalho do repórter é de perturbar os poderosos. “A gente tem que fazer reportagens agressivas, as pessoas gostam de reportagens assim”,  afirma. Para ele, é desta forma que as pessoas veem a realização de um bom trabalho jornalístico.

Durante sua palestra, Jennings apresentou diversos documentos e fotos que mostram as relações entre empresas de marketing e os dirigentes de instituições esportivas. Ele conta que demorou 9 anos para conquistar a confiança da fonte que lhe passou os documentos, mas que ela aprovava o seu trabalho, e por isso lhe entregou os papéis.

Nesses documentos aparecem nomes como o de Nicolas Leoz, atual presidente da Confederação Sul-americana de Futebol (CONMEBOL), Issa Hayatou, um dos vice-presidentes da Federação Internacional de Futebol (FIFA), e Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Todos acusados de receber propina da agência suíça de marketing esportivo “International Sports &Leisure”, conhecida como ISL.

Ao se referir a João Havelange, ex-presidente da FIFA e atual membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), como “o poderoso chefão”, Jennings afirma que ele também aparece em escândalos envolvendo a mesma empresa. As investigações do caso começaram depois que a BBC colocou no ar o programa que apontava para a suspeita de que Havelange e Ricardo Teixeira teriam recebido suborno nos anos 90.

Outro nome muito citado foi o de Orlando Silva, Ministro do Esporte. Em 15 de junho, ele teria afirmado que Ricardo Teixeira deve ser considerado inocente, pois não estava sendo investigado pela FIFA. Para Jennings, não há investigação porque Teixeira é “protegido”. O jornalista acredita que é vergonhoso para o Brasil achar que o país depende dessas pessoas para realizar a Copa do Mundo.

Andrew Jennings (Panorama BBC)

Participando de uma entrevista coletiva com o atual presidente da FIFA, Joseph Blatter, relembra Jennings, todos os jornalistas normalmente faziam perguntas muito educadas, que não causam desconforto algum a Blatter. Então Jennings levantou-se e disse: “Ei, Blatter, você aceitou suborno?”. Ele afirma que não tratou o presidente com o devido respeito, pois sabia que ele era corrupto, mas conseguiu a manchete: Blatter nega ter recebido suborno.

O jornalista finalizou sua palestra com um convite aos jornalistas brasileiros. Ele sugeriu a criação de um site que abrigasse matérias e artigos sobre o país, com tradução para o inglês, para que todo o mundo pudesse acompanhar. Ao terminar sua fala, diversos estudantes e jornalistas manifestaram interesse no projeto.

A palestra Investigação em esportes: conluios da FIFA e do COI”  foi realizada das 11h às 12:30h de 02 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). A mesa foi moderada por Sérgio Xavier -sergio.xavier@abril.com.br. O palestrante foi: Andrew Jennings andrew-jennings@btconnect.org

Violência agrária no Brasil é menos pautada por correspondentes, afirma jornalista

Por Taina Mansani (Cientista Social/ USP e jornalismo/ Cásper Líbero)

Foto: Vinicius Gorczeski (4º ano/Metodista)

Nos últimos anos, o tema da violência agrária no Brasil perdeu espaço no noticiário internacional. A redução dos casos de conflitos agrários e a desmobilização do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) são alguns dos motivos. A avaliação é da correspondente internacional no Brasil do jornal argentino “Clarín”, Eleonora Gosman.

Eleonora Gosman (Clarín)

“Vamos reconhecer que durante o período Lula a atividade do MST foi menor, seja porque estavam muito ligados ao PT, ou por outros motivos”, acrescenta. Outra dificuldade apontada pela jornalista é a distância entre as regiões do Brasil. “Por ser um país grande, para quase tudo é preciso avião”, afirmou.

A última notícia sobre o tema violência agrária noticiada por Gósman foi a morte da missionária Dorothy Stang (2005), decorrente de conflitos agrários contra fazendeiros. Desde então, ela tem feito coberturas mais relacionadas a temas econômicos.

Apesar de perder espaço no noticiário internacional, o problema persiste no Brasil. No último dia 24 de maio o casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foi assassinado a tiros no Pará, por conta de conflitos contra a ação de madeireiros.

A palestra O Brasil visto de fora: o trabalho dos correspondentes foi realizada das 9h as 11h30 no dia 02 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). O palestrante foi a jornalista Eleonora Gosman (Clarín).

Em palestra, jornalistas discutem se conteúdos na internet podem ser integrados à TV

Por Taina Mansani (Cientista Social/USP e jornalismo/Cásper Líbero)

Fotos: Lina Ibañez

Rafael Coimbra (Globo News)

No contexto social em que até o Papa Bento XVI fez uso da internet para tuitar através de um tablet, o repórter e apresentador Rafael Coimbra (Globo News) defende que o advento das novas mídias não excluirá a TV. “Ainda que a internet seja um mundo infinito, existe a preocupação de uma mídia em alimentar a outra”, afirma.

Segundo Coimbra, as pessoas estão aprendendo a usar os conteúdos jornalísticos, mas nem todos sabem como fazer. “Seja de forma independente ou em parceria com os grandes veículos de comunicação, será possível aproximar o trabalho amador ao dos veículos”, diz.

A experiência da CNN norte-americana mostra que é possível obter conteúdos de amadores sem comprometer questões éticas, citou, como exemplo, o jornalista. O procedimento desse veículo, com a atuação de um “curador”, é postar vídeos enviados por amadores, e sem edição, apenas indicados no site como não modificados. Nesse sentido, as diferentes mídias, que no Brasil seriam vistas como inimigas, poderiam se integrar.

A outra participante da mesa, Márion Strecker, cofundandora do primeiro portal de internet no Brasil, o portal UOL, questionou, no entanto, se o exemplo do curador da CNN não se trataria também de uma forma de edição.

Strecker, que foi protagonista do advento dos portais no Brasil, mencionou em   palestra que a internet tem modificado a percepção das pessoas, inclusive, no que diz respeito à maneira como elas assistem televisão. “No atual cenário, a novas mídias dominam a internet e ajudam a mudar o mundo, e os jornalistas devem estar preparados para lidar com essas mudanças”.

Coimbra foi questionado, em entrevista, sobre como a integração entre a TV e as novas mídias poderia proporcionar maior reflexão a respeito dos conteúdos por parte dos usuários, para além do consumo instantâneo da notícia. Segundo ele, é possível trabalhar diferentes conteúdos para que consumidor da notícia tenha acesso à informação como ele preferir, seja ela mais curta ou mais aprofundada.

Márion Strecker

Para Coimbra, não haveria espaço para discussões sobre conflitos ideológicos em torno da veiculação das notícias, sobretudo pelo tempo escasso de produção. “Se é notícia, ela vai acontecer em algum lugar do mundo em alguma plataforma […] não há mais tempo hoje para decidir o que pode ou que não pode, não há como negar a informação”, afirma.

A palestra Integração e TV on-line: o que o espectador tem a ganhar foi realizada das 16h as 17h30 no dia 01 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). O palestrante foi Rafael Coimbra (Globo News) e Márion Strecker (UOL).