Entusiasmo de iniciante aos 43 anos de jornalismo

Por Camila Moura (2º ano/FIAM) e Alexandre Dall’Ara (3º ano/ ECA-USP)

Foto: Vinicius Gorczeski (4º ano/Metodista)

Rosental recebe homenagem ao lado da mulher e dos filhos

Pensamentos rápidos, gentileza à toda prova e um entusiasmo juvenil pelo jornalismo. É assim Rosental Calmon Alves, jornalista, professor da Universidade do Texas, fundador e atual diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas.

O grande homenageado do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji parece não ter receio em mostrar seu lado humano, convivendo humilde ao lado do profissional renomado.

Natural do Rio de Janeiro (RJ), Rosental Calmon Alves, 59 anos, começou a trabalhar como jornalista em 1968. Tinha 16 anos e foi repórter de “O Jornal”, publicação dos Diários Associados no Rio de Janeiro. Entre outros veículos, passou no início de sua carreira pelas rádios Tupi e Nacional, no Rio, e pelas revistas “IstoÉ” e “Veja”. No “Jornal do Brasil”, teve participações marcantes como correspondente em Madri, Buenos Aires, Washington e Cidade do México.

Sorridente e atencioso, nos convidou a acompanhá-lo de volta ao hotel onde esqueceu o celular, demonstrando que, como todo jornalista, não consegue ficar desconectado um minuto. Durante o percurso, comentou como se sentia com a homenagem e sua ligação com a Abraji.

“Estou muito emocionado, porque minha família estará presente nesta homenagem. Estou mais acostumado a homenagear do que a ser homenageado. A Abraji foi o primeiro projeto do Knight Center e sua independência me deixa muito satisfeito”.

Rosental ajudou a criar a Abraji, logo depois da morte do jornalista Tim Lopes, seu amigo pessoal. Ele conta que recebeu a notícia trágica no dia seguinte do começo das atividades do Centro Knight de Jornalismo nas Américas, dirigido por ele. O professor largou o trabalho nos Estados Unidos e veio ao Rio de Janeiro para o enterro do amigo. Após o caso, um grupo de profissionais e colegas começaram a articular dois congressos, um na capital fluminense e outro em São Paulo, que resultaram na criação da Abraji.

Para Rosental, o começo da Abraji guarda uma profunda relação com outra história marcante e triste do jornalismo: a morte de Don Bolles, exatos 26 anos antes do assassinato de Tim. O atentado a bomba matou o jornalista americano e gerou uma forte reação dos colegas. Os casos de corrupção foram devassados em vez de esquecidos. O jornalista foi um dos fundadores da Investigative Reporters and Editor (IRE) – associação americana que reúne repórteres e editores investigativos.

Rosental foi o primeiro brasileiro a ser aceito como bolsista da Fundação Nieman para Jornalismo da Universidade Harvard, nos EUA. A Nieman foi criada em 1937 e é a mais prestigiada bolsa de estudos de jornalismo do mundo.

Em Harvard, teve contato com novas tecnologias e com os primórdios da revolução que estava por acontecer com a internet. De volta ao Brasil, Rosental foi pioneiro e criou em 1991 o primeiro serviço de notícias em tempo real por computador – o Sistema Instantâneo de Notícias, da Agência JB. Em 1995, outra contribuição sua para o jornalismo brasileiro: comandou a equipe que colocou no ar a primeira versão de internet de um jornal do país – o JB Online.

Em 1996, aos 44 anos, depois de mais de um quarto de século como jornalista, decidiu dar uma guinada em sua vida profissional. Ao ler um anúncio na revista britânica “The Economist”, concorreu a uma vaga de professor de jornalismo na Universidade do Texas, em Austin. Superou duzentos candidatos na disputa e conquistou a cobiçada cátedra John S. and James L. Knight.

A partir da sua nova posição, tornou-se um benemérito do jornalismo em termos globais. Em 2002, com um financiamento de US$ 2 milhões da Knight Foundation, Rosental criou o Centro Knight para Jornalismo nas Américas. Esse centro é um dos mais bem sucedidos projetos para incentivar as boas práticas de reportagem nas Américas e influencia profissionais de todo o planeta.

Rosental se autointitulou como um “evangelizador digital”. Durante seu discurso, sua fala demonstrava a emoção. “Não tenho sangue nas veias, tenho tinta”.

A Homenagem a Rosental Calmon Alves – O estado do jornalismo investigativo e seus desafios na era digital foi realizada das 11h às 12h30 de 1º de julho de 2011, na sede da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br).

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Sobre Victor Santos

Jornalista pela Unesp/Bauru.

Publicado em 1 de julho de 2011, em Homenagem e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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