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A ética dos bastidores do esporte

Por Marta Santos (2º ano / PUC-SP)

Foto: Lina Ibañez

A “Play the Game” é uma organização internacional que objetiva promover democracia, transparência e liberdade de expressão nos esportes. Para o diretor da organização, Jens Sejer Andersen, uma das suas principais funções é discutir  as questões esportivas que a mídia, geralmente, não mostra. O jornalista Juca Kfouri, que dividiu a mesa com Andersen, compartilha dos mesmos valores. Para ele, é função da imprensa mostrar o que os torcedores apaixonados muitas vezes não veem.

Apesar de receber apoio do governo da Dinamarca, Andersen explica que o trabalho da “Play the Game” é totalmente independente. Ela se mantém com poucos recursos financeiros, mas conserva sua liberdade, continua o diretor. Ele também destaca que este é um dos únicos fóruns de debate sobre esporte onde todos podem participar.

Andersen destaca alguns casos de corrupção e má administração em instituições esportivas, como a Federação Internacional de Handball, cujo presidente Hassan Moustafa, teria desligado o microfone de seu adversário nas eleições em 2009, além de se associar a empresas e veículos de comunicação.

Juca Kfouri em palestra no 6º Congresso da Abraji

“Precisamos de uma organização que trabalhe como o anti-doping para monitorar a transparência das instituições”, continua o diretor. Para ele, a corrupção está em todo lugar, e sem a ajuda do público e do governo, essa situação nunca irá mudar.

Alguns dos principais desafios do esporte brasileiro, na visão de Andersen, são: a democratização do esporte, a definição dos direitos do atleta e a resolução do conflito da cobertura da mídia, dividida entre os interesses comerciais e do público. Especificamente para a imprensa, ele também destaca a importância do treinamento para os jornalistas que trabalharão na cobertura dos grandes eventos esportivos, da coleta de dados e da cooperação com outros setores da sociedade.

Para Kfouri é necessário que o jornalismo esportivo mostre, além do que acontece dentro das quadras e campos, os bastidores dos eventos esportivos. Ele relembra que na época em que dirigia a revista Placar, lutava para cobrir não só a emoção dos esportes, mas o que há por trás deles, as negociações, os custos, pois “os torcedores tem o direito de saber o que se faz com a sua paixão pelo esporte”, diz o jornalista.

Em relação à Copa do Mundo de 2014, Kfouri afirma que o estádio do Morumbi deveria ser a sede paulista, pois ele já foi palco de diversos jogos importantes. O jornalista acredita que a construção de novos estádios, como o de Itaquera, não trarão, necessariamente, desenvolvimento para essas áreas. Os três grandes times de futebol de Pernambuco, por exemplo, já manifestaram que não farão uso do novo estádio que será construído no Estado, ele aponta. Se a torcida brasileira é levada a crer na necessidade dessas obras, cabe à imprensa “cutucar a ferida, incomode quem incomodar”, finaliza Kfouri.

A palestra Play the Game: em busca da ética no esporte foi realizada das 14h às 15h30 de 1º de julho de 2011, na sede da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). A mesa foi moderada por André Luiz Azevedo. Os palestrantes foram: Juca Kfouri (e-mails  blogdojuca@uol.com.br ou jucakfouri@uol.com.br) e Jens Sejer Andersen (e-mail jens@playthegame.org download da apresentação).