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A reforma gráfica como afiançadora da identidade dos jornais

Projetos Gráficos e Informação discutidos por Ricardo Gandour e Vinícius Mota, com mediação de Alberto Cairo

Por Andrea Rivera (4°ano/ Universidad Carlos III de Madrid/ Intercâmbio na Universidade de São Paulo)

“Quanta mais singularidade tenha uma publicação, melhor”. Isso é o que considera Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado, e palestrante hoje no 6° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, junto com Vinícius Mota, secretário de redação da Folha de S. Paulo.

Essa singularidade a que Gandour fez referência é conseguida através de uma reestruturação gráfica dos jornais, por exemplo. Nesse contexto é no que se incluem as reformas feitas pelos grupos Estado e Folha, os quais neste ano  lançaram os novos visuais dos seus respetivos jornais: o Estadão, no dia 14 de março, e a Folha, dois meses depois.

A reforma nasce do próprio projeto jornalístico. O ciclo de consumo da informação implica que o jornal é uma matéria susceptível de ser consumida em qualquer momento do dia é para isso tem que ter, como característica principal, a legibilidade, tal como apontou Mota. Não serve fazer apenas uma reforma gráfica alterando o visual estético do jornal, mas também é necessária uma preocupação pelo conteúdo e como este chega ao leitor.

Na hora de começar o planejamento para uma reforma gráfica, é inevitável que surja a questão de como pode ser possível a convivência da mídia em papel e com a mídia online. Para Gandour, a resposta está em simplesmente transportar a forma de fazer jornalismo para a nova mídia, sem descuidar a modo em que se faz.

No entanto, ambos os palestrantes concordaram em que, na reestruturação dos seus respetivos jornais, o aumento das análises, dos comentários, incluir uma seção de bastidores e, em definitivo, ir além do impacto instantâneo da informação, modulando todas as informações com opiniões e comentários era o objetivo a ser alcançado no novo formato.

Por outra parte, não se há de esquecer que todo redesenho envolve mudanças na redação, as quais às vezes trazem resistências. Como comentou Roberto Gazzi, editor-chefe do Estadão e também presente na palestra, “o jornalismo é um trabalho absolutamente conservador”, onde as mudanças vão se fazendo aos poucos.

Ademais, uma reestruturação do visual dos jornais implica a procura de novos profissionais, uma limpeza da pauta jornalística e, sobretudo, ter em conta o poder da infografia como uma forma poderosa para construir as notícias. Afinal, a ideia é “fazer que a leitura dos jornais seja uma experiência mais marcante para o leitor utilizando, para isso, o valor da informação publicada”, aponta Gandour.

Mas, embora  sejam feitas todas as reformas e mudanças dentro dos jornais, Gandour também comentou que é importante não se esquecer de que “o jornalismo tem que ter valor por prestar serviço, por trabalhar para o leitor”.

Como anedota, Fabio Sales, diretor de Arte do Grupo Estado, comentou que até o novo visual do grupo ir ao ar, “foram necessárias 6 mil horas de trabalho, 3,2 mil cafezinhos, 2 toneladas de papel de jornal e 213 reuniões”.

 A palestra Novos projetos gráficos foi realizada das 14h às 15h30 de 1º de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). A mesa foi moderada pelo jornalista Alberto Cairo (e-mail acairo@epoca.com.br). Os palestrantes foram:  Ricardo Gandour (Ricardo.gandour@grupoestado.com.br) e Vinícius Mota (e-mail vinicius.mota@grupofolha.com.br), que contaram com a colaboração de Roberto Gazzi, editor-chefe do Estado de S. Paulo, e Fabio Sales, diretor de Arte do Grupo Estado (download da apresentação) – (download da apresentação)

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