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A internet globalizou o rádio

Por: Paula Bezerra (3º ano/Mackenzie)

Encontro de opostos: o sério Heródoto e o descontraído Boechat

Foto: Alexandre Dall’Ara (3º ano/ ECA-USP)

A sala estava lotada. Quem não conseguiu cadeira, sentou no chão. Ninguém queria perder o encontro entre duas estrelas do jornalismo. O ar debochado de Ricardo Boechat, combinou com o jeito sério de Heródoto Barbeiro e rendeu um bom debate com a plateia. Foi uma tarde para falar de convergência de mídia, importância do rádio, credibilidade do jornal, tudo isso entre muitas risadas.

“Embora o rádio seja um dos veículos mais antigos, hoje, ele parece um bebê para a comunicação”, afirma Boechat ressaltando a importância do rádio como um meio de comunicação. Para o âncora, o rádio continua sendo o grande companheiro da população, mesmo com o crescimento da internet e redes sociais: “A pessoa pode fazer ginástica, tomar banho, dirigir, tudo isso ouvindo o rádio. Para mim, é o meio de comunicação mais apropriado para o trânsito”, comenta.

Heródoto Barbeiro concorda e diz que o rádio nunca será extinto. De acordo com o jornalista, a internet acabou promovendo ainda mais o rádio, que agora pode ser ouvido em qualquer parte do mundo. “É tudo uma coisa só. A tecnologia está a favor da comunicação e o que realmente importa é o conteúdo em si, e não em qual eletrodoméstico ele será transmitido”, diz o jornalista. Além disso, Barbeiro também levantou a bandeira sobre a importância da convergência das mídias, e de como esse trabalho é realizado no “Record News”.

O debate teve seu ápice quando o assunto foi apuração. O âncora da “Rede Bandeirantes” provocou polêmica quando falou que se alguém liga para ele dando uma informação urgente, sobre um acidente de trânsito, por exemplo, ele veicula sem checar: “ninguém melhor que o cidadão para passar a informação”. Barbeiro discorda: “não coloco nada no ar sem antes checar corretamente o acontecimento”, contrapõe.

Quando indagado sobre a diferença entre o formato jornalístico de rádio e TV, ambos concordaram que a linguagem do rádio é menos ‘quadrada’ e mais próxima ao ouvinte, do que a da TV. “São cenários e contextos distintos. Na TV se você estourar o tempo limite o problema acarretado com isso será enorme, seja pela pontualidade dos próximos programas ou pela publicidade. Já em rádio, você consegue recuperar isso mais para frente”, destaca Boechat.

Para a jornalista da “Band News” do Rio de Janeiro, Isabelle Resende, que estava na plateia, o encontro de Heródoto Barbeiro e Ricardo Boechat foi uma ótima oportunidade para pensar a profissão e discutir ideias com profissionais tão experientes. “Foi, sem dúvida, uma experiência enriquecedora para mim. O congresso propôs uma troca de informações positivas, além de poder encontrar o Heródoto Barbeiro”, comenta Isabelle.

A palestra Rádio e TV: como aproveitar o melhor dos dois veículos foi realizada das 14h às 15:30h de 01 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). A mesa foi mediada pelo jornalista Mário Vitor Santos . Os palestrantes foram: Heródoto Barbeiro (e-mail herodoto@r7.com) e Ricardo Boechat (e-mail rboechat@band.com.br).