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O sigilo é o refúgio dos incompetentes

Por Luiz Felipe Guimarães (1º ano, ECA-USP)

Fotos: Lina Ibáñez

Kristinn Hrafnsonn,do WikiLeaks, e Gregory Michener, da universidade do Texas, debatem o tema no 6º Congresso ABRAJI

Fernando Paulino, Kristinn Hrafnsson e Greg Michener

A mídia tem um papel fundamental na luta pelo direito às informações públicas. “O acesso aos dados públicos garante a possibilidade de se fazer um melhor jornalismo” disse o canadense Gregory Michener, um dos palestrantes do painel Acesso a Informações Públicas. Segundo ele,  também papel dos meios de comunicação  cobrar os governos por mais transparência. Em um gráfico apresentando pelo palestrante, vê-se que a mídia no Brasil dá mais atenção ao tema do que na Argentina e no Uruguai, mas fica atrás de países como Chile, Guatemala e não atinge nem um terço da cobertura mexicana.

“O sigilo é o refúgio dos incompetentes” disse Michener. Difundir a ideia do acesso às informações públicas é fundamental para fazer crescer esse novo direito.

O canadense entende que o acesso a informações governamentais facilita o exercício da democracia, pois ajuda a afirmar os direitos dos cidadãos de fiscalizar o governo em seus atos administrativos e suas despesas. Michener criticou a falta de clareza do governo brasileiro ao cobrar seus tributos, dizendo: “vocês brasileiros pagam mais impostos do que no Canadá e nem sabem o porquê”.

Greg Michener

Já o porta-voz do Wikileaks Kristinn Hrafnsonn preferiu conversar com a platéia. Bem humorado, alfinetou a imprensa norte-americana: “Alguns jornais chamam o WikiLeaks de ‘associação de anti-segurança’. Se formos pensar que há alguns meses atrás éramos considerados terroristas, isso já é um grande avanço”.

O jornalista  islandês centrou sua fala  na crítica aos governos e a tendência do Estado em  tentar esconder informações importantes do público. Kristinn aponta que essa prática se fortaleceu após o 11 de setembro, e se diz chocado com a passividade das pessoas em aceitar tal atitude dos seus governos: “as pessoas acham que tudo o que é do governo deve ser secreto”.

Kristinn afirma que vê o WikiLeaks  quer influenciar o debate sobre o acesso as informações públicas, e provoca novamente: “o que viemos fazendo é publicar informações de governos e deixando eles furiosos. Eles n chamam de terroristas, trataram o Assange (Julian Assange, fundador do WikiLeaks) como se fosse o Bin Laden”.

Questionado sobre se toda informação deve ser livre,o colega de mesa, Gregory Michener foi contundente em afirmar que teme a divulgação de informações individuais, ideia compartilhada por Kristinn. Ele ressaltou que mesmo assim o governo não deve ter segredos.

A palestra “Acesso a Informações Públicas” foi realizada das 16h às 18h de 01 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Os palestrante foram: Gregory Michener (Universidade do Texas): rgm@gregmichener.com e Kristinn Hrafnsson (WikiLeaks): kristinn@ruv.is

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Multiplataformas e multitarefas: um novo jornalismo

Por Jessica Mota (2º ano/Mackenzie)

Foto: Lina Ibañes (publicitária)

José Roberto de Toledo (centro) mediou a palestra de Rodrigo Fontes (esquerda) e Antonio Prada

A competição, o jornalismo declaratório e o risco de má apuração na busca por um furo são alguns dos desafios que os jornalistas de jornal impresso enfrentam há anos. Na plataforma online, a realidade é a mesma, com cara diferente. É importante saber comunicar bem e rápido, mas reproduzir as falas de perfis do twitter, por exemplo, deve ser feita com critério. “O jornalismo em tempo real deve ter o cuidado em não ser apenas declaratório”, coloca Rodrigo Flores, diretor de conteúdo do “UOL”.

Papel de repórter que trabalha em sites não é ficar só na frente do computador. Ele também deve ir às ruas, captar o material de diferentes formas e passar as informações em tempo real para os editores. Para Flores, o ideal é explorar ao máximo a plataforma digital e utilizar todas as linguagens possíveis. Além do texto, a foto e o vídeo também são importantes. “A imagem comunica demais”, fala.

No jornalismo, a internet é a única plataforma que possibilita a resposta imediata do consumidor da informação. “Você posta uma matéria e em 30 segundos o internauta pode corrigir você”, exemplifica Antonio Prada, diretor de conteúdo do “Terra”. Com uma proximidade tão grande com os leitores, a interatividade é outro fator que entra na roda. Além dos comentários, existem veículos que recebem a colaboração do público em seções específicas dos sites. Tudo com a moderação do veículo, claro. “A gente não pode transferir a responsabilidade para o internauta”, sentencia Flores.

No Brasil, as técnicas para jornalismo online vêm se desenvolvendo com sucesso. Hoje, em veículos como o Terra, existem inclusive manuais de redação e estilo. Nem sempre foi assim. “A gente teve que descobrir aos trancos e barrancos maneiras de construir mídia online”, revela Prada. Coberturas em campo e produção de conteúdo exclusivo são algumas das prioridades do veículo. Quando os mineiros ficaram presos em uma mina no Chile e um tsunami devastou o Japão, por exemplo, o Terra não ficou dependente do conteúdo das agências de notícias, porque enviou seus correspondentes.

Além dos desafios da produção, o online também enfrenta desafios econômicos. Prada revela que o mercado publicitário brasileiro ainda não reconhece a audiência dos sites. “Se a internet é tão relevante para os usuários como parece, por que não tem reconhecimento do mercado?”

Uma das soluções para a sobrevivência seria oferecer também outros serviços, como antivírus e assistência técnica, exemplo do que faz o UOL. Para além da economia, entender a mídia online é um fator essencial para o contínuo desenvolvimento dessa plataforma. “Se você achar que está escrevendo para computador, você está enganado”, fala Rodrigo aos jornalistas. Hoje, a web também está em celulares e tablets. É justamente aí que mora a possibilidade de uma nova produção jornalística. Para Rodrigo, é a chance dos jornalistas fazerem a pergunta que, segundo ele, deveriam fazer todo dia ao acordar: “o que eu posso fazer de diferente hoje?”.

A palestra Produção de jornalismo na era digital foi realizada das 9h às 10h30 no dia 1º de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). A mesa foi moderada pelo jornalista José Roberto de Toledo. Os palestrantes foram: Rodrigo Flores (e-mail: rflores@uolinc.com – download da apresentação) e Antonio Prada (antonio.prada@corp.terra.com.br – download da apresentação).