A força da grande reportagem

Por Jessica Mota (2º ano/Mackenzie)

Foto: Luana Copini (4º ano/Mackenzie)

Um caderno de 24 páginas sem anúncios em um dos maiores jornais do país, com reportagens feitas exclusivamente por você e um parceiro. É o sonho de nove em cada dez jornalistas. Leonêncio Nossa, repórter da sucursal em Brasília do “Estado de S. Paulo”, realizou esse feito com a produção de As Guerras Desconhecidas do Brasil.

Leonêncio Nossa (O Estado de S. Paulo) e Nivaldo Ferraz (Anhembi Morumbi)

Depois de ganhar crédito pela reportagem sobre os arquivos revelados da Guerrilha do Araguaia, Nossa teve a chance de sair dos corredores de Brasília para os sertões mais reclusos do Brasil. De Norte a Sul, ele e o fotógrafo Celso Júnior percorreram 13,5 mil quilômetros, falaram com 335 pessoas de 41 cidades diferentes.

A ideia surgiu a partir do trabalho sobre a Guerrilha do Araguaia. “Quando você entra numa linha de pesquisa, outras pautas nessa linha começam a surgir”, contou o jornalista.

Para chegar às nove histórias mais representativas desses conflitos esquecidos, Nossa e Júnior fizeram uma extensa pesquisa. Tiveram que percorrer os caminhos antigos da apuração. “A internet é fantástica, mas é muito recente. De 2000 para trás, você tem que ir a sebos e bibliotecas”. Foram 17 meses entre arquivos públicos, álbuns de família, registros de hospitais e cemitérios, cartas e telegramas.

Buscar uma identidade dos personagens foi fundamental. “Foram pessoas como a gente que fizeram essas revoltas”, fala o repórter. O cuidado em conquistar a confianças das pessoas e se adaptar às diferentes realidades encontradas também foram desafios na produção dessa matéria, além do trabalho de encontrar esses protagonistas. “Às vezes, para localizar a pessoa, a gente ia à bodega para ver a lista de fiado”, revela Nossa. Nesse trabalho, o jornalista orienta que toda fonte é válida.

Parece difícil acreditar que a mídia impressa dê espaço para matérias como As Guerras Desconhecidas do Brasil. Frente a realidade digital em que praticamente todos se tornam potenciais produtores de conteúdo, valorizar grandes reportagens talvez seja uma via possível para a mídia impressa. Mas para isso, antes de tudo, é preciso confiança em si. “Se você não acredita no seu trabalho, não tem jeito”, diz Nossa.

A palestra As guerras desconhecidas do Brasil foi realizada das 11h às 12h30 de 2 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Palestrante: Leonêncio Nossa (O Estado de S. Paulo). Moderador: Nivaldo Ferraz (Anhembi Morumbi)

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Sobre Victor Santos

Jornalista pela Unesp/Bauru.

Publicado em 2 de julho de 2011, em Boas Histórias, Boas Reportagens e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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