O interesse público na relação com a fonte

Por Alexandre Dall´Ara (3º ano/ECA-USP)

Foto: Vinicus Gorczeski (4º ano/ Metodista) e Alexandre Dall´Ara (3º ano/ECA-USP)

Marta Solomon e Matheus Leitão durante a palestra

Marta Salomon, da sucursal de Brasília de O Estado de S. Paulo, resiste em usar o termo jornalismo investigativo. Para ela, todo jornalismo é feito de investigação. Ela reconhece, no entanto, que existem peculiaridades. “Esse jornalismo depende muito de fontes como Polícia Federal e Ministério Público”

Mas lidar com fontes não é simples, principalmente quando o trabalho envolve denúncia. “O que nos liga em termos de confiança é a certeza de que ambos temos o mesmo objetivo que é o bem público. No momento que eu descobrir que você [a fonte] está querendo me usar por interesses pessoais, desculpa, mas não tem compromisso” explica Sérgio Leo, do jornal Valor Econômico. Leo é marido de Salomon e acompanhou a palestra.

A quebra de compromisso com a fonte é uma aposta delicada, mas de acordo com Matheus Leitão, é necessária para defender o interesse público. Ele cobriu o Caso Arruda pelo portal IG e conta que Durval, autor dos vídeos que provavam a corrupção, poderia ter mais material exclusivo, mas nem por isso ele deixou de ser alvo de denúncias. “O que a gente fez foi investigar ele também porque ele era um delator, ele fazia parte do esquema”.

Miriam Leitão assistiu à palestra do filho e também comentou o compromisso do jornalista com seu público. “A gente tem que saber o nosso compromisso é com o leitor. Você constrói uma relação de confiança de parte a parte [com a fonte], mas tem de ficar claro pra você [repórter] que a prioridade é o leitor”.

Marta Solomon conversa com participantes do Congresso

Segundo Salomon, o jornalismo investigativo depende também de uma boa leitura dos jornais e do acesso às informações públicas disponíveis nos portais do governo, no Diário Oficial, em sites como o da Caixa Econômica Federal e a Transparência Brasil.

Ela contou sobre sua matéria do Primeiro Emprego. Com uma pesquisa no Siafi (sistema informatizado de acompanhamento de gastos federais), a repórter descobriu que o programa governamental só havia empregado uma pessoa em um ano de governo do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. A jornalista foi atrás do personagem, um funcionário de uma franquia de restaurantes na Bahia. “Hoje você dispõe de uma quantidade enorme de acervo de informações na internet e aí você vai em cima das fontes. É sempre bom também ter um personagem para não ficar apenas nos números.”

Mas as investigações de corrupção ou irregularidades não devem necessariamente ser uma meta do jornalismo, segundo a repórter. “Eu acho que o leitor merece muito mais do que escândalo, se eu pudesse eu escreveria muito menos sobre escândalo. Eu gosto de contar histórias”.

A palestra Investigação em Brasília – Caminhos e descaminhos do dinheiro público foi realizada das 9h às 11h30 de 2 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Palestrantes: Marta Salomon (O Estado de S. Paulo – download da apresentação), Matheus Leitão (Folha de S. Paulo – download da apresentação). Moderador: Angelina Nunes (O Globo)

Links úteis:

http://www.transparencia.org.br/

http://www.portaldatransparencia.gov.br/

http://www.excelencias.org.br/

http://www.tesouro.fazenda.gov.br/siafi/index.asp

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Sobre Victor Santos

Jornalista pela Unesp/Bauru.

Publicado em 2 de julho de 2011, em Corrupção e crime organizado e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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