Arquivo da categoria: Técnicas de RAC

O futuro dos bancos de dados na internet

Por Taina Mansani (Cientista Social/ USP e jornalismo/ Cásper Líbero)

“Como fazer dados falarem?” Essa tem sido a preocupação de Aron Pilhofer, diretor de interatividade do jornal norte-americano The New York Times. Em palestra sobre Data-driven journalism: o futuro dos bancos de dados na internet, Pilhofer falou sobre como a linguagem web pode auxiliar na visualização dos dados para mostrar o que é importante.

Ele é responsável por uma equipe de repórteres e programadores que “contam histórias” através de ferramentas da internet. Pilhofer concorda que, além da interatividade, a web pode ser um campo em expansão para o trabalho jornalístico. O profissional que dominar essa linguagem certamente terá espaço no mercado de trabalho, que é concorrido.

Aron Pilhofer (The New York Times)

Para o moderador da palestra e diretor de infografia e multimídia da revista Época, Alberto Cairo, se há uma área dentro do jornalismo que está em expansão é a visualização de dados na internet.

Pilhofer é pioneiro no trabalho com bancos de dados em linguagem acessível na web. Também foi editor do banco de dados do “Center for Public Integrity” (organização sem fins lucrativos que atua para transparência de informações e auxílio ao jornalismo investigativo).

A palestra Data-driven journalism: o futuro dos bancos de dados na internet foi realizada das 14h as 15h30 no dia 02 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). O palestrante foi a jornalista Aron Pilhofer (The New York Times).

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“Investigamos para informar, não para punir”

Por Camila Moura (2º ano/ FIAM)

Quando falamos sobre ética no jornalismo, um assunto recorrente é a utilização de gravadores, câmeras escondidas, e o uso de falsa identidade por parte do profissional. Eduardo Faustini, o repórter sem rosto do Fantástico, defende a utilização desses artifícios desde que o conteúdo exposto seja de interesse público.

“Esse país é roubado todo dia, o jornalismo investigativo no Brasil é um dos melhores do mundo porque nossa matéria prima é farta”.

Faustini revelou que a matéria sobre a segurança dos aeroportos que foi ao ar em janeiro deste ano, na qual ele desembarca nos principais aeroportos do país com uma AR15 na mala sem ser pego, surgiu depois que uma funcionária do aeroporto disse que ele não poderia embarcar com um cortador de unhas, visto que a lixa seria pontuda e ia contra as normas de segurança.

Palestra com Eduardo Faustini (TV Globo)

Essa matéria reforça a glamourização que o público faz em torno do uso das micro câmeras. “A micro câmera quebrou a barreira do padrão Globo de qualidade, pois a imagem é extremamente ruim e o áudio é absolutamente condenável. Um material muito pobre em qualidade técnica, mas muito rico em informação e emoção”, afirma Tyndaro Menezes, também jornalista da TV Globo e mediador.

A dificuldade é encontrar no mercado, equipamentos de qualidade, que deem segurança para trabalhar. “Se você tem uma câmera é como se não tivesse nenhuma, se você tem duas, uma delas poderá funcionar, e se tiver três, pode ter a sorte que duas funcionem bem”.

Para ambos os profissionais, as reportagens de televisão dependem extremamente de imagens, áudio e vídeo.

A palestra Investigação em TV: câmera escondida e outros métodos foi realizada das 9h às 11h30 de 2 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Palestrantes: Eduardo Faustini (TV Globo)

Banco de dados oferece independência de conexão e otimização de tempo

Por Michelle Magri (4º ano/ Uninove)

A utilização de bancos de dados no jornalismo não é algo novo. Desde a década de 80 as redações já eram informatizadas. Com a implementação das técnicas de reportagem que usam o computador como ferramenta principal, a chamada Reportagem Assistida por Computador (RAC), tornou-se mais simples e pertinente o armazenamento de conteúdos.

Para o jornalista, mestre em políticas públicas e editor no Webinsider, Paulo Rebêlo, todo jornalista deve saber as regras da RAC. “Se você é jornalista tem que ter muita precisão no que faz, então, aprender a usar as técnicas avançadas do Google é fundamental. Isso vai servir não só para alimentar seu banco de dados, mas para você produzir suas matérias e sem erro”, ressalta.

A cobrança pela produção imediata de conteúdo aliada ao excesso de tarefas faz com que o jornalista nem sempre salve as informações levantadas naquele dia. Porém, segundo Rebêlo, é extremamente vantajoso fazer um esforço para armazena-las,- “Quando montar um banco de dados você vai saber o que tem ali dentro; vai ter uma precisão muito maior do que se você recorrer ao Google. O que é mais importante é a independência da conexão, com o seu banco, você perde a dependência pela internet, além disso, você otimiza o tempo ao procurar um dado”.

Segundo o jornalista, toda informação que existe pode ser transformada em arquivo e por isso deve ser armazenada: “Eu acho que tem que guardar tudo que é arquivo: ‘reportagens, estudos, teses, fotos, vídeos e etc’. Para isso, basta organizar da melhor forma possível esse conteúdo e não precisa ter um computador potente”, diz. “Contrariando o senso comum, o banco de dados não ocupa espaço. Eu guardo meu ‘pequeno google de bolso’, que tem 12 anos, em um pen drive de apenas três gigas”, conta.

Pensando na compactação dos arquivos, Rebêlo sugere salvá-los no formato PDF, por ser leve e porque pode ser aberto em qualquer sistema. Para ele, salvar as informações no formato DOC é perda de tempo: “o word não foi feito para lidar com arquivos grandes. “Se você salvar em DOC, vai lidar com um problema sério de velocidade. Portanto, o PDF é o formato mais universal, mais rápido e mais simples”, comenta.

Na era do jornalismo digital, novos softwares tornaram simples a adoção de bancos de dados inteligentes que auxiliam profissionais de comunicação na procura pelo material produzido. “Para quem utiliza o PC o programa indicado é o DTSearch, já para quem utiliza o Mac o melhor é o DevonThink, ambos realizam a busca do conteúdo do texto e não apenas da descrição”, explica Paulo, que define o banco de dados como uma forma de sistematizar informações.

Quando o assunto é segurança digital, Paulo alerta para as ‘espetadas’ dos pen drives nos computadores desconhecidos. Segundo ele, principalmente em lan houses, há hackers que instalam programas capazes de copiar automaticamente todas as pastas e documentos do pen drive. Por isso, para driblar a armadilha, o recomendado é criptografar o objeto. “O jeito mais simples é baixar um programa chamado TrueCrypt, que é gratuito e atende todas as plataformas, e então instalar, criar uma senha e criptografar. A criptografia é uma segurança de que ninguém vai ter acesso a seus dados”, alerta.

 

A palestra Banco de dados no jornalismo para iniciantes foi realizada das 9h às 10h30 de 2º de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Palestrante: Paulo Rebêlo (e-mail rebelo@gmail.com).

 

O desafio de ensinar o jornalismo investigativo

Por Camila Moura (2º ano/FIAM)

Foto: Lina Ibañez

A investigação é primordial em qualquer matéria jornalística. Ao trazer ao conhecimento da sociedade um fato de interesse público, o jornalista pode desde apressar um processo que demoraria anos para ser concluído até estimular a reformulação de leis.

Em sua palestra no 6º Congresso da Abraji, o professor Solano Nascimento da Universidade de Brasília apresentou casos em que o jornalismo investigativo foi fundamental por causa de reportagens que causaram grande impacto na sociedade, além de alertar e impedir a incidência de novos abusos e situações problemáticas.

“É difícil o jornalismo investigativo mudar governos ou mudar toda uma estrutura. Agora, fazer reformas é possível e, para determinados grupos de pessoas, elas são muito importantes”, disse, referindo-se a um episódio ocorrido em 2006 na região de Imperatriz (MA). Na ocasião, 16 pessoas morreram de forma misteriosa, agricultores entre 14 a 45 anos de idade. Posteriormente descobriu-se que a causa das mortes foi um fungo no arroz, colhido e consumido pelos trabalhadores.

Assim como os estudantes, os profissionais que ensinam o jornalismo investigativo também precisam se atualizar constantemente para poder proporcionar aos alunos encontros e trocas de experiências com jornalistas, no ambiente educacional.

A falta de critérios e atenção ao apurar uma notícia pode levar um veículo a cometer equívocos e transmitir informações que eventualmente não correspondem à realidade. Em suas aulas, o professor Solano aborda temas que treinam a perspicácia do universitário.  “Ele é provocado a olhar toda notícia com desconfiança, descobrir o que está errado”, explica.

Edson Flosi, professor da Faculdade Cásper Libero, lembra com pesar a ausência da disciplina de jornalismo investigativo, ou reportagem policial, na grade curricular das universidades brasileiras. Para ele, a reportagem policial tem diferenças importantes em relação às reportagens que abordam esportes ou saúde, por exemplo.

Luciana Kraemer, Solano Nascimento e Edson Flosi

“O repórter policial foge da versão oficial. Ele enfrenta a polícia, promotores, delegados, e ainda tem que ter outras qualidades como malandragem, esperteza, frieza, raciocínio e, principalmente, a desconfiança. Das especialidades do jornalismo, a mais difícil de ensinar é investigativa, porque depende muito mais do interesse do aluno”, conclui.

A palestra Jornalismo investigativo nas universidades foi realizada das 16h às 17h30 de 1º de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Palestrantes: Solano Nascimento (UnB), Edson Flosi (Cásper Líbero) Moderador: Luciana Kraemer (Unisinos/Abraji)