Em busca de uma linguagem para tablets

Leonardo Attuch, José Roberto de Toledo e Claudia Belfort discutindo os tablets e o fututo do jornalismo

Vinicius Gorczeski (4° ano/Metodista)

Foto: Lina Ibañes

O jornalismo ainda está em busca de rumos sobre a forma de se produzir para tablets, dispositivo móvel em forma de prancheta. A diretora de conteúdo online do “Estadão”, Cláudia Belfort, assinala que os jornais não têm produção específica para o novo formato. O que existe hoje é uma transposição de conteúdos copiados dos materiais impressos ou online diretamente para esse dispositivo.

“É preciso desenvolver uma nova linguagem. Se eu souber, vou ser o CEO (diretor geral) do New York Times”, brinca a diretora, indicando que ainda não há fórmula a ser seguida, embora exista a consciência sobre a necessidade de se mudar o que é feito hoje. “Ninguém a essa altura sabe”, completou o colunista do Estadão José Roberto de Toledo.

Segundo eles, para encontrar alternativas é preciso descobrir o perfil do leitor que consome notícias no equipamento. Isso acontece porque a atual parcela desses consumidores ainda não reflete a maioria dos leitores  – a previsão é de superar a venda de 300 mil tablets até o fim do ano no país.

Tudo indica que este novo público não se satisfaz apenas com notícias, mas também está em busca de entretenimento. Um passo além nesta discussão seria a produção de conteúdos específicos para cada suporte: celulares, internet, tablets, com base no horário que o leitor acessa o conteúdo e que tipo de informação o satisfaz – que varia ao longo do dia, segundo Belfort. “Esse momento deve ser usado para experimentação e não para se falar de conceitos”.

Outra questão em discussão pelos responsáveis pela produção jornalística é modo como o leitor recebe a informação nos tablets: é preciso estar conectado à internet, mas, no entanto, o produto em si é offline, por isso não sofre atualizações. Para “misturar a salada”, a diretora de conteúdo online do “Estadão” aponta a experiência de usuário mista. Dessa forma, se acessa uma manchete com informações do dia anterior e, com o tocar de outro botão, notícias quentes do dia são apresentadas na tela.

Por ser uma nova mídia, investidores do setor evitam lançar fichas sobre esta nova plataforma.  Apesar disso, há o caso do “Brasil 247”, que nasceu digital. Trata-se da primeira empresa de conteúdo jornalístico a ser criada exclusivamente para tablets, além de contar com um portal na rede.

O repórter do veículo Cláudio Tognolli ressaltou que o novo formato contribui para aumentar a participação do leitor. A própria concepção do “Brasil 247” – cuja ideia é funcionar 24h por dia, sete dias por semana – foi pautada por essa interatividade.

Tognolli comentou a percepção das mídias de oferecer ao público não apenas a interatividade, mas a possibilidade de produzir para as novas mídias. O “iCentric”, em que o ‘eu’, diz ele, é o centro de tudo. Prática que, devido à dinâmica instantânea de divulgação, pode levar a erros de checagem.

“É um jornalismo assertivo, tem que mandar primeiro que os outros veículos”, afirma.

Questionados sobre como devem atuar os profissionais que nasceram na era digital, acostumados com o dilema de informação apurada versus premissa do furo de reportagem, Belfort enfatiza que a experiência profissional é essencial para essa plataforma. Para evitar erros de texto e apuração, um caminho é montar uma boa bagagem com referências como bons livros, filmes, etc. “Isso é fundamental para esse jornalismo assertivo. Hoje em dia tem estudante que sai da faculdade sem saber o que é sujeito verbo e complemento”, diz.

Já Tognolli acredita que a falta de experiência dos estudantes e o pouco contato próximo com fontes no início da carreira nem sempre são fatores prejudiciais. Mas aponta a necessidade de jornalistas buscarem uma formação multimídia. “Tem de voltar para a redação com podcasts, fotos, texto, vídeos. E também trabalhar narrativas urbanas. É o que muita gente experiente já está fazendo lá fora”, sustenta o jornalista.

A palestra O jornalismo e os tablets: quando a forma é o conteúdo foi realizada das 16h às 17h30 de 1º de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br).Palestrantes: Leonardo Attuch (Brasil 247), Claudia Belfort (O Estado de S. Paulo).Moderador: José Roberto de Toledo (O Estado de S. Paulo/RedeTV)

Anúncios

Sobre Victor Santos

Jornalista pela Unesp/Bauru.

Publicado em 2 de julho de 2011, em Jornalismo on-line e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: