O be-a-bá da reportagem

Texto e foto por
Marta Santos (2º ano / PUC-SP)

Marcelo Beraba, num bate-papo sobre como fazer uma boa reportagem

Toda profissão possui técnicas fundamentais que aprimoram e facilitam o trabalho, principalmente dos que estão iniciando em suas áreas de atuação. Para Marcelo Beraba, diretor da sucursal carioca do jornal O Estado de S. Paulo e da Abraji, boa parte dos erros de reportagem está associada à falta de atenção aos fundamentos do jornalismo. Ele acredita que a apuração é a essência do jornalismo e, por isso, deve ser tratada com muita precisão, pois está diretamente associada à credibilidade do profissional.

Beraba destaca como fundamentos do jornalismo a observação, a entrevista, a documentação, a pesquisa e a rechecagem. Segundo ele, não há uma hierarquia ou uma ordem cronológica definida, todos esses itens são extremamente importantes para uma matéria bem fundamentada.

Segundo ele, há algumas décadas os jornais possuíam andares de pesquisa onde os repórteres se informavam sobre suas pautas e entrevistados, com arquivos e pastas de diversos assuntos. Hoje, com a difusão do acesso à informação e a maior interatividade entre leitor e repórter, o grau de exigência de conhecimento demandado do jornalista o obriga a dominar especificamente uma área ou editoria do jornal, tornando seu trabalho muito mais específico.

“Se você não domina o assunto, isso fica claro para o leitor”, afirma Beraba. Ele destacou a evolução na cobertura policial dos jornais, pois a cobertura deixou de ser focada apenas nos fatos, e passou a usar dados estatísticos como ferramenta para mapear as áreas onde há maior criminalidade, por exemplo. Além disso, o jornalista acredita que todos os profissionais desta editoria devem ter conhecimento sobre a política de segurança pública e os procedimentos padrões da polícia, para que possam informar o leitor quando esse trabalho não estiver sendo realizado da melhor forma.

Para que uma entrevista seja bem conduzida, na visão de Beraba, o repórter deve ter um objetivo estabelecido, como: complementar uma informação, entender ou aprofundar determinado assunto, mostrar o personagem entrevistado, extrair informações ou ouvir uma opinião diferente. Independente deste objetivo, toda entrevista deve ser preparada antecipadamente, com roteiro ou estratégia minimamente definidos.

De acordo com Beraba, é essencial ao repórter saber filtrar do que ele observa o que deve ou não ser inserido na reportagem, o que vale a pena ser descrito. A partir do final da década de 1970, com a renovação dos projetos editoriais dos jornais impressos, o avanço tecnológico, a criação dos manuais de redação e do lead, o jornalismo passou a ser muito mais objetivo e rígido. Essa rigidez debilitou a sensibilidade do jornalista de perceber “os detalhes que vão dar sabor a reportagem”, afirma Beraba, pois limitou bruscamente a liberdade de escrita.

Para ele, a documentação é o item que mais dá solidez e fundamento à reportagem. Com uma boa documentação o jornalista fica mais seguro, pois tem condições de confrontar e provar o que escreveu. Beraba relembra que, na época do governo Collor, a maioria das notícias eram denúncias sem comprovação; hoje, há maior acesso e uso de dados, registros e informações públicas para servir de base às reportagens.

A principal responsável por minimizar a possibilidade de erros é a rechecagem, para Beraba. Depois de passar por todos os outros itens, ele afirma, é necessário checá-los novamente, rever os dados, as citações, as aspas e a interpretação de dados para aumentar a precisão da matéria.

 A palestra Fundamentos da Reportagem foi realizada das 09h às 10h30 de 1º de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). O palestrante foi: Marcelo Beraba (e-mail marcelo.beraba@grupoestado.com.br).

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Sobre Victor Santos

Jornalista pela Unesp/Bauru.

Publicado em 1 de julho de 2011, em Fazer jornalístico e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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