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Os riscos e as vantagens do humor no jornalismo

Por Luiz Felipe Guimarães (1º ano, ECA-USP)

Foto: Vinicius Gorczeski

Marcelo Tas, jornalismo e humor

O último dia do 6º Congresso ABRAJI contou com a presença de Marcelo Tas, jornalista e humorista, para palestrar sobre a Cobertura Política com Humor. A palestra foi pautada pela  grande questão deste tipo de cobertura: o quão válido é o humor no Jornalismo?

Antes do início da palestra o que mais se ouvia na plateia eram comentários sobre o CQC, programa em que Tas é âncora e coordenador editorial, e especulações sobre qual tom teria a apresentação. Aqueles que esperavam por um tom descontraído não se decepcionaram: logo de início Marcelo brincou com o horário da palestra: “Palmas para nós que levantamos hoje cedo”. Em seguida, apresentou vídeos de Ernesto Varela, um antigo personagem que era um repórter/humorista.

Tas acredita que o Brasil tem paladar especial pelo humor misturado com o jornalismo, mas adverte que, a priori, os dois são incompatíveis: “O humor é impreciso, às vezes irresponsável, enquanto o jornalismo tem o dever de ser exatamente o oposto”. Com essa declaração Tas aproveitou para criticar a postura da mídia, que na ânsia de vender suas notícias, chega a ser menos responsável e séria do que muitos humoristas.

Como um entusiasta do humor no jornalismo, Tas constantemente ressaltou como o humor potencializa o efeito de uma matéria. Dando exemplos do CQC, programa que em seu início sofreu com a indiferença dos políticos, mas hoje é respeitado por eles, mostrou como o humor na cobertura política incentivou jovens a se interessarem pelas notícias do Planalto.

Perguntado se os telejornais tradicionais deveriam introduzir o humor em suas matérias, Tas foi contundente em afirmar os riscos: “o humor é sofisticado, caro e difícil. As chances de erro da mistura entre piada e informação são imensas”. Para ele, existe uma grande diferença entre o jornalismo com humor e jornalistas engraçadinhos.

A palestra Cobertura de administração pública com humor foi realizada das 9h às 10h30 de 2º de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br).Palestrante: Marcelo Tas (CQC).

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Além da notícia: os bastidores da política

Por Michele Francisco(3º ano/Anhembi Morumbi) e Efraim Caetano (3º ano/Anhembi Morumbi – 2º ano/Unicsul)

A cobertura política foi o foco da palestra de Renata Lo Prete e Gerson Camarotti

O cenário político no Brasil é bem conturbado e cheio de escândalos. Para mostrar os desafios que os jornalistas encontram ao apurar as notícias desse segmento, Renata Lo Prete e Gerson Camarotti contaram suas experiências nos bastidores da política. “Os atos políticos não são estáticos, por isso, o jornalista tem que ter humildade para explicar a mudança de cenário”, afirma Camarotti.

Lo Prete, editora da coluna Painel Político do jornal “Folha de S.Paulo”, destacou que seu trabalho “é um mosaico do pulso político no ciclo noticioso 24 horas por dia”. Para a jornalista, as fontes têm de ser variadas para transmitir a visão mais completa do cenário da política. “Como não existe ninguém sem interesse, procuro retirar daquelas pessoas o que é menos importante para elas e mais importante para o público”, conclui.

Para a jornalista, sua relação com as fontes é permitir “que as pessoas mintam”. A partir daí, com “o cruzamento das versões eu consigo uma verdade”.  Desta forma, Lo Prete deixa clara a importância de não se pautar em apenas uma pessoa, mas em várias, para poder cruzar as informações e chegar naquilo que é de interesse do público.

Camarotti, jornalista da sucursal de “O Globo” em Brasília e comentarista político da Globo News, complementou as informações  e ressaltou que estudantes e profissionais de comunicação devem remanejar as informações para que elas sejam noticiadas.  O jornalista apresenta esse cenário contando exemplos, um deles foi a cobertura da eleição do Papa em 2005.

Ele afirma que é uma eleição difícil de ser apurada, porque são pessoas fechadas, e o acesso às informações é restrito. “Fui fazendo uma rede de abordagens diferentes, com um vinho para descontrair, e após meses de apuração, consegui uma fonte que falasse como se dá todo o processo da eleição do papa”.

Os jornalistas expõem qual a atitude deles diante do erro. Camarotti prefere levar o “furo jornalístico” do que noticiar o que ele não tem certeza.  Renata é enfática: “me considero retranqueira. Credibilidade é tudo o que possuo e tenho que dar valor a isso”. Ela afirma que já cometeu vários erros é a melhor coisa que tem a se fazer nesse momento é assumir.

O mediador, diretor da Abraji e jornalista do jornal “Correio Braziliense”, Alon Feuerwerker, disse que em toda a cobertura política o jornalista adota uma maneira de trabalho. “O fundamental é transmitir a informação correta e não morrer abraçado em uma aposta”, e ressalta que os jornalistas tem de ter uma relação firme com o erro e assumi-lo.

A palestra Desafios do jornalismo político: Como ir além dos escândalos e da burocracia partidária foi realizada das 09h às 10h30 de 1º de julho de 2011, na sede da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). A mesa foi moderada pelo jornalista Alon Feuerwerker. Os palestrantes foram Gerson Camarotti (e-mail gcamarotti@bsb.oglobo.com.br) e Renata Lo Prete (e-mail renataloprete@grupofolha.com.br).