Arquivo da categoria: Boas Histórias, Boas Reportagens

X Curso sobre Jornalismo e Conflitos Armados é lançado no 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo

Por Luana Copini (4º ano/Mackenzie)

Fotos: Vinicius Gorczeski (4º ano/Metodista) e Luana Copini (4º ano/Mackenzie)

Sob o comando do jornalista João Paulo Charleaux (Últimas Instâncias) foi apresentado aos jornalistas e estudantes universitários, que participaram da palestra Medidas de proteção para jornalistas em cobertura de conflitos armados, neste último dia 30, na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, o X Curso sobre Jornalismo e Conflitos Armados.

João Paulo Charleaux (Última Instância)

O curso não se restringe apenas aos estudantes paulistanos, mas sim aos universitários de todo o Brasil que querem ser jornalistas. Todos têm a oportunidade de participar do X Curso de Informação sobre Jornalismo em Conflitos Armados e outras Situações de Violência, que será ministrado de 20 de agosto a 29 de outubro, em São Paulo.

O curso é promovido pela CICV em parceria com a OBORÉ e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, e é realizado pelo Projeto Repórter do Futuro.

Seus principais objetivos consistem em conscientizar os participantes sobre temas do Direito Internacional Humanitário, além de abordar dispositivos legais necessários para analisar, interpretar, opinar e reportar as situações humanitárias resultantes de conflitos armados e situações de tensões internas.

Dentre os palestrantes estão militares, policiais, especialistas em direito internacional e jornalistas, todos apostando no aprendizado complementar sobre as normas internacionais aplicáveis em situações de conflito armado e outras situações de violência, além de situar o trabalho da imprensa nestes contextos.

Clique aqui para baixar o Cartaz Original

Ao todo, são 20 vagas oferecidas exclusivamente a estudantes universitários que tenham interesse nessa área do jornalismo. Os interessados em participar da seleção devem preencher uma ficha de pré-inscrição, disponível de 1º a 15 de agosto na página da OBORÉ: www.obore.com

A seleção será realizada no dia 20 de agosto, durante um encontro de confraternização com a presença do chefe da delegação regional do CICV para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, Felipe Donoso.

Programação

20 de agosto – sábado – 9 horas
Encontro de confraternização e seleção de candidatos.
Apresentação de Felipe Donoso, chefe da delegação do CICV para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.

3 de setembro – sábado – 8h30
Oficial do Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx)

10 de setembro – sábado – 8h30
Coronel André Vianna, da reserva da Polícia Militar de São Paulo

17 de setembro – sábado – 8h30
Gabriel Valladares, assessor jurídico do CICV

24 de setembro – sábado – 8h30
Samy Adghirni, jornalista da Folha de S. Paulo e especialista em assuntos do Oriente Médio e política externa

29 de outubro – sábado – 9 horas
Avaliação do curso, entrega de certificados e Reembolsas

A palestra Medidas de proteção para jornalistas em cobertura de conflitos armados foi realizada das 9:00h às 12:30h de 30 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Os palestrantes foram: João Paulo Charleaux  (e-mail: jpcharleaux@gmail.com),  Andrei Netto  (e-mail: andrei.netto@grupoestado.com.br –download da apresentação) , Sandra Lefcovich(e-mail slefcovich@icrc.org – download da apresentação) e Rodney Pinder (e-mail: pinder.rodney@newssafety.org)


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“É preciso trocar informação”

Por Camila Moura

O que você, estudante de jornalismo ou foca, acharia se pudesse ter acesso ao making off das grandes reportagens, vencedoras dos principais prêmios de jornalismo do país? Todos os segredos e dificuldades seriam desvendados. Essa é a ideia de um projeto que nasceu há 5 anos, e foi retomado nos bastidores do 6º Congresso de Jornalismo Investigativo da Abraji por Sergio Gomes (OBORÉ) e Angelina Nunes (editora assistente da editoria Rio do O Globo e coordenadora o grupo de Administração Pública).

 

A ideia principal é fazer com que o regulamento dos concursos que premiam reportagens tenham uma cláusula que obrigue os vencedores a descrever em detalhes todo o processo de realização, desde a origem da pauta, as dificuldades e fontes de pesquisa, até chegar ao resultado final. Assim, grandes profissionais estarão contribuindo para a formação do jovem jornalista, uma vez que esse material ficará disponível às universidades.
Registramos o encontro de Sérgio Gomes e Angelina Nunes. Assista ao vídeo e confira:

Violência agrária no Brasil é menos pautada por correspondentes, afirma jornalista

Por Taina Mansani (Cientista Social/ USP e jornalismo/ Cásper Líbero)

Foto: Vinicius Gorczeski (4º ano/Metodista)

Nos últimos anos, o tema da violência agrária no Brasil perdeu espaço no noticiário internacional. A redução dos casos de conflitos agrários e a desmobilização do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) são alguns dos motivos. A avaliação é da correspondente internacional no Brasil do jornal argentino “Clarín”, Eleonora Gosman.

Eleonora Gosman (Clarín)

“Vamos reconhecer que durante o período Lula a atividade do MST foi menor, seja porque estavam muito ligados ao PT, ou por outros motivos”, acrescenta. Outra dificuldade apontada pela jornalista é a distância entre as regiões do Brasil. “Por ser um país grande, para quase tudo é preciso avião”, afirmou.

A última notícia sobre o tema violência agrária noticiada por Gósman foi a morte da missionária Dorothy Stang (2005), decorrente de conflitos agrários contra fazendeiros. Desde então, ela tem feito coberturas mais relacionadas a temas econômicos.

Apesar de perder espaço no noticiário internacional, o problema persiste no Brasil. No último dia 24 de maio o casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foi assassinado a tiros no Pará, por conta de conflitos contra a ação de madeireiros.

A palestra O Brasil visto de fora: o trabalho dos correspondentes foi realizada das 9h as 11h30 no dia 02 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). O palestrante foi a jornalista Eleonora Gosman (Clarín).

“Investigamos para informar, não para punir”

Por Camila Moura (2º ano/ FIAM)

Quando falamos sobre ética no jornalismo, um assunto recorrente é a utilização de gravadores, câmeras escondidas, e o uso de falsa identidade por parte do profissional. Eduardo Faustini, o repórter sem rosto do Fantástico, defende a utilização desses artifícios desde que o conteúdo exposto seja de interesse público.

“Esse país é roubado todo dia, o jornalismo investigativo no Brasil é um dos melhores do mundo porque nossa matéria prima é farta”.

Faustini revelou que a matéria sobre a segurança dos aeroportos que foi ao ar em janeiro deste ano, na qual ele desembarca nos principais aeroportos do país com uma AR15 na mala sem ser pego, surgiu depois que uma funcionária do aeroporto disse que ele não poderia embarcar com um cortador de unhas, visto que a lixa seria pontuda e ia contra as normas de segurança.

Palestra com Eduardo Faustini (TV Globo)

Essa matéria reforça a glamourização que o público faz em torno do uso das micro câmeras. “A micro câmera quebrou a barreira do padrão Globo de qualidade, pois a imagem é extremamente ruim e o áudio é absolutamente condenável. Um material muito pobre em qualidade técnica, mas muito rico em informação e emoção”, afirma Tyndaro Menezes, também jornalista da TV Globo e mediador.

A dificuldade é encontrar no mercado, equipamentos de qualidade, que deem segurança para trabalhar. “Se você tem uma câmera é como se não tivesse nenhuma, se você tem duas, uma delas poderá funcionar, e se tiver três, pode ter a sorte que duas funcionem bem”.

Para ambos os profissionais, as reportagens de televisão dependem extremamente de imagens, áudio e vídeo.

A palestra Investigação em TV: câmera escondida e outros métodos foi realizada das 9h às 11h30 de 2 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Palestrantes: Eduardo Faustini (TV Globo)

Desafio econômico de Dilma Rousseff está na sustentabilidade

Por Vinicius Gorczeski (4° ano/ Metodista)

Foto: Lina Ibañez

Não é só a elevação dos preços – conhecida e repetida com frequência nos jornais como inflação – que a presidente Dilma Rousseff terá de enfrentar na política econômica. A insistência do indicador do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), em bater no teto da meta de inflação do Banco Central, que no acumulado 12 meses está em 6,77% (o valor máximo estipulado é de 6,5%), não é nem o principal problema, segundo a colunista de “O Globo” Miriam Leitão.

Miriam Leitão (O Globo)

Questões sustentáveis, como a preservação da Amazônia, que cobre 60% do território brasileiro, e demais regiões, cobertas por mata Atlântica, cujas áreas remanescentes não superam os 7%, serão assuntos a serem discutidos e reportados pelos futuros jornalistas econômicos. Temas se unem porque, segundo Leitão, falar de um é falar de outro. Escassez de recursos naturais é sinônimo de perda de dinheiro.

“Quanto custa para o país manter ou não suas reservas em prol do desenvolvimento econômico? Entendo a biodiversidade da Amazônia como uma floresta não desbravada. Imagine queimar essa biblioteca sem conhecê-la”, diz. Ela comenta que esses dilemas ainda esbarram em práticas ilegais, como na exploração de madeira e uso de carvão ilegal na siderurgia. “Não sejamos ingênuos, empresas fazem vistas grossas sobre como os fornecedores obtêm suas matérias primas de seus respectivos distribuidores”, diz Leitão, ao destacar que o papel do jornalista econômico também está em fiscalizar a cadeia de distribuição desses recursos a fim de checar ilegalidades – quanto a dinheiro e recursos naturais.

Outra crítica quanto ao tema é o desenvolvimento versus preservação ambiental. Para sustentar a ideia, a colunista cita a construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará. A promessa governamental é de que a obra oferecerá 11 mil megawatts de energia. “Isso é uma mentira. A capacidade média de geração é de 4,5 mil megawatts, e há especialistas que apontam que isso será possível apenas por dois meses do ano, nos demais não haverá, por conta do clima, com muita seca, capacidade para essa quantidade”, critica. “Será que vale a pena tanto desmatamento com a contrapartida do que Belo Monte vai conseguir propiciar?”, completa, ao questionar sobre a razão pelas quais alternativas de desenvolvimento energético não são adotadas, como a eólica ou a solar; não poluentes e que não desapropriariam moradores locais – caso da população que mora nos entornos da barragem de Belo Monte.

Aumentando a complexidade da discussão, Leitão também comenta se, apesar de tudo, é possível ignorar o potencia hídrico da Amazônia para produção de eletricidade. “Essa é a fronteira da discussão: o que vale mais?” – temas para os futuros repórteres de economia ajudarem a responder.

INFLAÇÃO

Autora do livro “A saga brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda”, em que reporta a evolução do poder de compra do dinheiro no Brasil, com hiperinflação há 30 anos, Leitão afirma que a preocupação atual da imprensa em torno do indicador é forma de pressionar por ações que mantenham os níveis estáveis, ao contrário de uma época em que os preços variavam ao longo de um único dia. Índices que superaram, em 15 anos que antecederam a execução do plano real, a impressionante soma de 13 trilhões e 342 bilhões por cento.

“Fiquei ainda mais feliz de ver que nosso trabalho serviu para explicar todas as mudanças complexas, planos fracassados para conter a inflação, e como o cidadão precisa agir sob novas políticas”, comemora Leitão.

Ela afirma que, durante a apuração do livro, percebeu que, apesar de sucessivos planos fracassados para tentar recolocar a economia nos eixos o brasileiro mantinha crença de haveria uma solução para o aumento de preços. A constatação de Leitão é de a população aprendeu a “gostar de viver com inflação em níveis baixos”. Isso porque, proporcionalmente, o poder de compra do dinheiro é maior.

Apesar de lançar luz sobre a inflação, Leitão também destacou que a ideia era mostrar a turbulência pelo qual passou o país em 30 anos, com muitas trocas de ministros da fazenda, calotes e o consumidor, que em meio ao “tumulto” buscou fiscalizar e entender todo o processo de perto.

A palestra Cobertura Econômica: desafios no governo Dilma foi realizada das 14h às 15h30 de 2 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Palestrantes: MiriamLeitão (Globo) miriamleitao@oglobo.com.br, Moderador: SergioLeo (Valor Econômico)

A força da grande reportagem

Por Jessica Mota (2º ano/Mackenzie)

Foto: Luana Copini (4º ano/Mackenzie)

Um caderno de 24 páginas sem anúncios em um dos maiores jornais do país, com reportagens feitas exclusivamente por você e um parceiro. É o sonho de nove em cada dez jornalistas. Leonêncio Nossa, repórter da sucursal em Brasília do “Estado de S. Paulo”, realizou esse feito com a produção de As Guerras Desconhecidas do Brasil.

Leonêncio Nossa (O Estado de S. Paulo) e Nivaldo Ferraz (Anhembi Morumbi)

Depois de ganhar crédito pela reportagem sobre os arquivos revelados da Guerrilha do Araguaia, Nossa teve a chance de sair dos corredores de Brasília para os sertões mais reclusos do Brasil. De Norte a Sul, ele e o fotógrafo Celso Júnior percorreram 13,5 mil quilômetros, falaram com 335 pessoas de 41 cidades diferentes.

A ideia surgiu a partir do trabalho sobre a Guerrilha do Araguaia. “Quando você entra numa linha de pesquisa, outras pautas nessa linha começam a surgir”, contou o jornalista.

Para chegar às nove histórias mais representativas desses conflitos esquecidos, Nossa e Júnior fizeram uma extensa pesquisa. Tiveram que percorrer os caminhos antigos da apuração. “A internet é fantástica, mas é muito recente. De 2000 para trás, você tem que ir a sebos e bibliotecas”. Foram 17 meses entre arquivos públicos, álbuns de família, registros de hospitais e cemitérios, cartas e telegramas.

Buscar uma identidade dos personagens foi fundamental. “Foram pessoas como a gente que fizeram essas revoltas”, fala o repórter. O cuidado em conquistar a confianças das pessoas e se adaptar às diferentes realidades encontradas também foram desafios na produção dessa matéria, além do trabalho de encontrar esses protagonistas. “Às vezes, para localizar a pessoa, a gente ia à bodega para ver a lista de fiado”, revela Nossa. Nesse trabalho, o jornalista orienta que toda fonte é válida.

Parece difícil acreditar que a mídia impressa dê espaço para matérias como As Guerras Desconhecidas do Brasil. Frente a realidade digital em que praticamente todos se tornam potenciais produtores de conteúdo, valorizar grandes reportagens talvez seja uma via possível para a mídia impressa. Mas para isso, antes de tudo, é preciso confiança em si. “Se você não acredita no seu trabalho, não tem jeito”, diz Nossa.

A palestra As guerras desconhecidas do Brasil foi realizada das 11h às 12h30 de 2 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Palestrante: Leonêncio Nossa (O Estado de S. Paulo). Moderador: Nivaldo Ferraz (Anhembi Morumbi)

João tem um problema

Por  Alexandre Dall’Ara (3º ano/ ECA-USP)

No jornalismo, é princípio básico entender sobre o que se fala. Estudar o assunto e traduzir para o leitor. Tratar de temas complexos é um desafio, portanto. Mas, se o objetivo é falar sobre estudiosos que trabalham com a fronteira da matemática, com teoremas e objetos que muitas vezes não são decifrados nem mesmo pelos mais reconhecidos matemáticos do mundo, o trabalho parece impossível.

A saída encontrada por João Moreira Salles foi engenhosa e lhe rendeu o prêmio Esso de 2010. O jornalista e fundador da Revista Piauí decidiu abordar a maneira como Artur, o personagem do perfil e matemático do IMPA (Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada), pensa e opera mentalmente quando tem ideias e resolve seus teoremas.

João conta ter percebido que não poderia compreender o trabalho de Artur na primeira ou segunda das 11 longas entrevistas que fez com sua fonte. “Comecei a ler em volta e algumas coisas me chamaram atenção” disse, explicando como encontrou o caminho para seu perfil. “Eu não entendo o que ele [Artur] intui, mas entendo o que é intuição. Outra questão é a beleza, que é universal na fala de todos os matemáticos”.

O tema, que espanta muitos, já interessava João. Ele diz que queria fazer uma reportagem sobre ciência quando viu uma notícia sobre Arthur no jornal “O Globo”. A matéria o descrevia como o único brasileiro e um dos poucos matemáticos do mundo com chances de ganhar a Medalha Fields, o maior prêmio da área, considerado o Nobel da matemática.

Para João, matemática é arte e não ciência

O IMPA também chamava a atenção de João. Considerado um dos maiores institutos de matemática do mundo, Salles diz que o órgão sediado no Rio de Janeiro é pouco conhecido. “A cobertura de ciências no Brasil é muito ruim, ao contrário das artes, por exemplo”.

Talvez a complexidade dos “objetos” estudados por matemáticos como Artur seja um dos motivos para o desconhecimento do IMPA. Além disso, o trabalho desses estudiosos é considerado “inútil”, pois não resultam em avanços práticos, por exemplo. Por mais que possam ser usados para alguma finalidade no futuro, a matemática avançada lida si mesma, com teoremas que resolvem problemas meramente teóricos.

Mas a abordagem de João foi diferente, ele conseguiu compreender o motivo pelo qual a beleza aparece tanto na fala dos matemáticos. “Eu sou um grande defensor daquilo que é inútil e a grande matemática é inútil, assim como um verso”.

 A palestra Esso 2010: Nos passos de Jean e Arthur tem um problema foi realizada das 16h às 18h no dia 01 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). O palestrante foi: João Moreira Salles (download da apresentação).

Jornalistas dos principais jornais do país narram experiências de cobertura na Líbia

Por Juliana Conte (jornalista)

Vida de repórter não costuma ser fácil. Daqueles que vão cobrir diretamente do front então… Nem se fala.

Andrei Netto é correspondente do “Estado de S.Paulo”  e Samy Adghirni da “Folha de S. Paulo”. Ambos passaram momentos bastante delicados durante a cobertura internacional que realizaram sobre os conflitos no Oriente Médio, principalmente na Líbia, país em que Netto ficou preso e totalmente incomunicável durante oito dias.

“Uma das partes mais complicadas era falar com a mulher do Andrei sobre a situação dele. Quer dizer, não havia o que falar, mas eu precisava mostrar para ela de alguma maneira que a situação estava sob controle…O que teoricamente não estava”, contou Samy, que deu apoio a esposa de Andrei, no período em que ele ficou preso.

O correspondente do Estadão resolveu fazer um trajeto que não estava sendo trilhado pela maior parte dos repórteres que foram para a Líbia. A estratégia, traçada com o editor do jornal, era dar maior visibilidade ao lado oeste do país que estava totalmente sem cobertura.

“A nossa intenção era alcançar Trípoli rapidamente, pois pensávamos que as fronteiras logo iriam cair. Passamos mais de 36 horas para conseguir entrar. Entrei com o Ghaith Abdul-Ahad, jornalista iraquiano do The Guardian. Ele foi muito importante, já que falava árabe”.

Após serem liberados partiram para a cidade de Zabrata (pró Kadafi) e lá caíram em uma emboscada e foram sequestrados.

A comunidade internacional, na época, não tinha noção do que acontecia com os jornalistas presos naquele país, pois Andrei e Ghaith foram um dos primeiros a serem presos.

Ele conta que no dia que foi solto dormiu na casa do embaixador brasileiro e quando chegou, a televisão estava ligada no canal da Al Jazeera. Quando viu a notícia sobre a sua libertação, se deu conta da dimensão que o caso tinha tomado:

“Só ali, quando vi minha imagem estampada na televisão, percebi a mobilização dos órgãos internacionais (incluindo a Abraji) para a nossa soltura. Sou imensamente grato”.

Samy que é descendente de marroquinos escreveu inúmeras matérias para o jornal “Folha de S.Paulo”. Ele não chegou a ficar preso, no entanto, diz que passou por momentos em que teve que reunir forças para não chorar.

“ Ver corpos de crianças carbonizadas, muito sofrimento, gente desaparecida”.

Ele comenta ainda que durante a cobertura, no calor dos acontecimentos, o jornalista tende a se blindar contra esses fatos, perdendo até um pouco da sensibilidade. O estresse acaba aparecendo depois. Samy disse que tomou consciência do sofrimento das pessoas, do risco que passou, quando retornou ao Brasil. Levou alguns dias para conseguir dormir e ficar em paz com a sua consciência.

A palestra  Conflitos no mundo árabe – notícias do front foi realizada das 16h às 17h30 de 1º julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). O palestrante foi