O debate político não se esgota na televisão

Por Efraim Caetano (2º ano/Unicsul)

Tradicional em anos eleitorais, os debates políticos na televisão brasileira provoca inúmeras reações no mundo da política e imprime os rumos em ano de eleições, principalmente presidenciáveis. Para isso, as redes de televisão precisam de “jogo de cintura” para lidar com os interesses dos candidatos e as leis eleitorais.

Nada melhor para falar sobre o assunto que o diretor de jornalismo da TV Bandeirantes, Fernando Mitre, apresentador e produtor do primeiro debate à presidência da república após o regime militar em 1988, entre os candidatos Francisco Montoro e Leonel Brizola.

O diretor ressalta que as regras impostas pelos candidatos e as leis eleitorais comportam um debate “engessado” e não permitem ao eleitor avaliar as ideias de cada um dos candidatos. “A legislação é um desastre”, e vai além: “o debate acaba sendo a única oportunidade de o eleitor decidir e, restringir isso é um erro”, conclui.

Luciana Kraemer e Fernando Mitre

Segundo Mitre, o primeiro debate é mais importante do que o último, pois é dele que surgem os temas que ditam o rumo das eleições. “É um erro os jornais em dias de pós-debates dizerem que o evento não teve audiência e foi morno, pois é a partir deles que os candidatos têm a oportunidade de trabalhar as ideias apresentadas e, isso tem uma repercussão enorme”, e afirma: “O debate começa na televisão, mas só termina nas urnas”.

Para o diretor, as novas mídias contribuem para a discussão política, mas ressalva que a utilização delas torna o assunto artificializado. “A internet possui uma grande repercussão do que é discutido nos debates, mas a televisão está à frente”, diz.

Para o jornalista Rodrigo Mesquita Neiva, 25, que está participando de um programa de treinamento da “Folha de S.Paulo”, o evento não deve ser caracterizado como uma palestra, mas sim como um debate. Para ele, o encontro permitiu aos palestrantes e ao público participar e conhecer melhor como se faz fazer uma cobertura política diante dos rigores e os excessos da lei eleitoral. “Palestras como a do Fernando Mitre contribui muito para a nossa formação profissional”, avalia.

A palestra “Cobertura de política e eleições em televisão” foi realizada das 14h às 15h30h de 01 de julho de 2011, na sede da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). A mesa foi moderada pela jornalista Luciana Kraemer (e-mail lukraemer@terra.com.br). O palestrante foi Fernando Mitre (e-mail fmitre@band.com.br).

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Publicado em 1 de julho de 2011, em Fazer jornalístico e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Rodrigo de Aguiar Gomes

    Pela foto, vemos o estilo Mitre de jornalismo: indignado, mas sempre a favor.

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