O desafio de ensinar o jornalismo investigativo

Por Camila Moura (2º ano/FIAM)

Foto: Lina Ibañez

A investigação é primordial em qualquer matéria jornalística. Ao trazer ao conhecimento da sociedade um fato de interesse público, o jornalista pode desde apressar um processo que demoraria anos para ser concluído até estimular a reformulação de leis.

Em sua palestra no 6º Congresso da Abraji, o professor Solano Nascimento da Universidade de Brasília apresentou casos em que o jornalismo investigativo foi fundamental por causa de reportagens que causaram grande impacto na sociedade, além de alertar e impedir a incidência de novos abusos e situações problemáticas.

“É difícil o jornalismo investigativo mudar governos ou mudar toda uma estrutura. Agora, fazer reformas é possível e, para determinados grupos de pessoas, elas são muito importantes”, disse, referindo-se a um episódio ocorrido em 2006 na região de Imperatriz (MA). Na ocasião, 16 pessoas morreram de forma misteriosa, agricultores entre 14 a 45 anos de idade. Posteriormente descobriu-se que a causa das mortes foi um fungo no arroz, colhido e consumido pelos trabalhadores.

Assim como os estudantes, os profissionais que ensinam o jornalismo investigativo também precisam se atualizar constantemente para poder proporcionar aos alunos encontros e trocas de experiências com jornalistas, no ambiente educacional.

A falta de critérios e atenção ao apurar uma notícia pode levar um veículo a cometer equívocos e transmitir informações que eventualmente não correspondem à realidade. Em suas aulas, o professor Solano aborda temas que treinam a perspicácia do universitário.  “Ele é provocado a olhar toda notícia com desconfiança, descobrir o que está errado”, explica.

Edson Flosi, professor da Faculdade Cásper Libero, lembra com pesar a ausência da disciplina de jornalismo investigativo, ou reportagem policial, na grade curricular das universidades brasileiras. Para ele, a reportagem policial tem diferenças importantes em relação às reportagens que abordam esportes ou saúde, por exemplo.

Luciana Kraemer, Solano Nascimento e Edson Flosi

“O repórter policial foge da versão oficial. Ele enfrenta a polícia, promotores, delegados, e ainda tem que ter outras qualidades como malandragem, esperteza, frieza, raciocínio e, principalmente, a desconfiança. Das especialidades do jornalismo, a mais difícil de ensinar é investigativa, porque depende muito mais do interesse do aluno”, conclui.

A palestra Jornalismo investigativo nas universidades foi realizada das 16h às 17h30 de 1º de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Palestrantes: Solano Nascimento (UnB), Edson Flosi (Cásper Líbero) Moderador: Luciana Kraemer (Unisinos/Abraji)

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Publicado em 2 de julho de 2011, em Fazer jornalístico, Fundamentos da Reportagem, Técnicas de RAC e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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