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“É preciso trocar informação”

Por Camila Moura

O que você, estudante de jornalismo ou foca, acharia se pudesse ter acesso ao making off das grandes reportagens, vencedoras dos principais prêmios de jornalismo do país? Todos os segredos e dificuldades seriam desvendados. Essa é a ideia de um projeto que nasceu há 5 anos, e foi retomado nos bastidores do 6º Congresso de Jornalismo Investigativo da Abraji por Sergio Gomes (OBORÉ) e Angelina Nunes (editora assistente da editoria Rio do O Globo e coordenadora o grupo de Administração Pública).

 

A ideia principal é fazer com que o regulamento dos concursos que premiam reportagens tenham uma cláusula que obrigue os vencedores a descrever em detalhes todo o processo de realização, desde a origem da pauta, as dificuldades e fontes de pesquisa, até chegar ao resultado final. Assim, grandes profissionais estarão contribuindo para a formação do jovem jornalista, uma vez que esse material ficará disponível às universidades.
Registramos o encontro de Sérgio Gomes e Angelina Nunes. Assista ao vídeo e confira:

“Investigamos para informar, não para punir”

Por Camila Moura (2º ano/ FIAM)

Quando falamos sobre ética no jornalismo, um assunto recorrente é a utilização de gravadores, câmeras escondidas, e o uso de falsa identidade por parte do profissional. Eduardo Faustini, o repórter sem rosto do Fantástico, defende a utilização desses artifícios desde que o conteúdo exposto seja de interesse público.

“Esse país é roubado todo dia, o jornalismo investigativo no Brasil é um dos melhores do mundo porque nossa matéria prima é farta”.

Faustini revelou que a matéria sobre a segurança dos aeroportos que foi ao ar em janeiro deste ano, na qual ele desembarca nos principais aeroportos do país com uma AR15 na mala sem ser pego, surgiu depois que uma funcionária do aeroporto disse que ele não poderia embarcar com um cortador de unhas, visto que a lixa seria pontuda e ia contra as normas de segurança.

Palestra com Eduardo Faustini (TV Globo)

Essa matéria reforça a glamourização que o público faz em torno do uso das micro câmeras. “A micro câmera quebrou a barreira do padrão Globo de qualidade, pois a imagem é extremamente ruim e o áudio é absolutamente condenável. Um material muito pobre em qualidade técnica, mas muito rico em informação e emoção”, afirma Tyndaro Menezes, também jornalista da TV Globo e mediador.

A dificuldade é encontrar no mercado, equipamentos de qualidade, que deem segurança para trabalhar. “Se você tem uma câmera é como se não tivesse nenhuma, se você tem duas, uma delas poderá funcionar, e se tiver três, pode ter a sorte que duas funcionem bem”.

Para ambos os profissionais, as reportagens de televisão dependem extremamente de imagens, áudio e vídeo.

A palestra Investigação em TV: câmera escondida e outros métodos foi realizada das 9h às 11h30 de 2 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Palestrantes: Eduardo Faustini (TV Globo)

Abraji dá início ao 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo com recorde de participantes

Está tudo pronto para o início do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). O encontro começa nesta quinta-feira, 30 de junho, e reunirá os maiores nomes do jornalismo investigativo do Brasil e do mundo. Dados preliminares indicam a participação de 800 pessoas, entre profissionais, estudantes, professores, e pós-graduandos em comunicação – e neste ano as inscrições continuam abertas mesmo durante o evento.

Uma equipe de recém-formados e estudantes de jornalismo ligados ao projeto Repórter do Futuro, da Oboré (www.obore.com), será responsável pela cobertura oficial do congresso. Reportagens sobre todas as palestras poderão ser lidas no blog https://6congressoabraji.wordpress.com/. As apresentações e os contatos dos palestrantes também serão disponibilizados nesse canal.

Realizado anualmente desde 2005, o Congresso deste ano contará com mais de 70 painéis e cerca de 120 palestrantes e moderadores de diversos países (Estados Unidos, Inglaterra, Dinamarca, Argentina, El Salvador, Paraguai e Islândia).

“O Congresso da Abraji se transformou numa grande ágora dos repórteres brasileiros. Uma vez por ano, este é o maior evento para compartilhar experiências, trocar dicas sobre reportagens e melhorar o padrão do jornalismo no país” afirma Fernando Rodrigues, presidente da Abraji.

Como um dos principais objetivos é a capacitação de jornalistas, o evento é dividido em workshops e palestras cujo principal tema, neste ano, é o jornalismo on-line. Os workshops acontecem no primeiro dia e abordam técnicas de RAC (Reportagem com Auxílio do Computador), investigação de gastos públicos, Índice de Desenvolvimento Humano, interpretação de balanços de empresas privadas entre outros temas ligados ao dia-a-dia de repórteres e editores.

Em todas as edições do Congresso, a Abraji presta homenagem a profissionais da comunicação cujo trabalho contribua de maneira notável para o bom jornalismo. Neste ano, a diretoria da associação escolheu por unanimidade homenagear o jornalista e professor Rosental Calmon Alves, fundador e atual diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas e responsável pelo lançamento da primeira versão on-line de um jornal no Brasil, o “Jornal do Brasil on line”. Na sessão solene, marcada para sexta-feira, 1º de julho, às 11h da manhã, Rosental fará uma conferência sobre o estado do jornalismo investigativo e seus desafios na era digital.