Aids e outras doenças passam despercebidas pela mídia nos últimos anos

Da Redação

O espaço dedicado às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) nos veículos de comunicação foi criticado pelos palestrantes do painel “Cobertura de HIV/Aids, DSTs e Hepatites: desafios e possibilidades”, realizado na tarde desta sexta-feira (1) durante o 6° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji.

Os dados positivos sobre o combate à Aids, anunciados pelo Ministério da Saúde nos últimos anos, o aumento da infecção em determinados grupos tornou-se um tema esquecido pelos veículos de comunicação.

Dados mencionados pela jornalista Marta Avancini, da Unesco (órgão da ONU para a Infância e Adolescência), comprovam o cenário: entre 2000 e 2008, a proporção de casos de infectados pelo HIV com idade entre 13 e 24 anos saltou de 35% para 42,7%. “Só se fala de Aids quanto sai resultado de pesquisa epidemiológica. Temos um fenômeno de saúde que está passando ao largo da mídia”, diz Avancini.

Com vinte anos de experiência em jornalismo voltado para a saúde, o freelancer Aureliano Biancarelli relatou que, no início, as reportagens sobre a Aids eram feitas com base no medo que a infecção causava nas pessoas, um sentimento que vem perdendo força.

“Hoje não temos mais morte de famosos, que despertam o interesse da mídia. As notícias são movidas pelo ativismo porque, quando vêm informações pelo Estado, são vistas com certa desconfiança pelos jornalistas”, diz Biancarelli.

O problema, segundo o jornalista, é que o ativismo, que um dia contribuiu para que o Brasil tivesse o melhor programa de combate à Aids do mundo, perdeu força. “Os líderes envelheceram, todos estão chegando aos 60 anos”.

Somado ao preconceito que os portadores do HIV sentem ao sair às ruas, isso fez com que o aumento de adolescentes e mulheres na proporção de infectados passe despercebida pelos veículos de comunicação. “Você não vai ter uma liderança jovem que venha a público dizer que é portador”, diz Biancarelli.

Para a pesquisadora Inesita Soares de Araújo, da Fundação Oswaldo Cruz, a invisibilidade desses segmentos ocorre porque elas não possuem poder. “Há um silêncio e um silenciamento da população que possui Aids no Brasil porque elas não estão organizadas”, opina.

Ela também menciona a distância entre acadêmicos e jornalistas como outra causa para essa ausência de notícias sobre o assunto. “Vários pesquisadores detestam jornalistas. Alguns pesquisadores não admitem que editem a sua fala. Tanto que os repórteres têm os seus queridinhos”.

Outras vozes

Além da mídia, outras instituições também influenciam os adolescentes e a população sobre os riscos de contrair DSTs. Em sua participação, Araújo apresentou resultados de suas pesquisas que revelam que, ao contrário do que ela própria imaginava, a mídia não é a voz mais forte para os adolescentes das comunidades da periferia carioca. “No século 21, para nossa grande surpresa, o discurso que prevalece é o religioso”, explica.

“Eles sabem tudo sobre os riscos, mas quando vão falar com a gente, dizem que é o amor que salva. Não há uma relação causal entre comunicação e comportamento”. Para ela, os riscos desse tipo de raciocínio são grandes, pois coloca a responsabilidade apenas sobre os homens.

A professora afirma que a melhor forma de se discutir a Aids com os jovens é usar uma abordagem mais próxima da comunidade. “O interesse é notado quanto há dados locais sobre a doença, na comunidade. A Aids, como entidade genérica, é muito distante”, afirma.

A palestra Cobertura de HIV/Aids, DSTs e Hepatites: desafios e possibilidades foi realizada das 14h às 15h30 de 1º de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). A mesa foi moderada por Marta Avancini (Unesco). Os palestrantes foram: Aureliano Biancarelli (Freelancer) e Inesita Soares de Araújo (Fundação Oswaldo Cruz). 

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Sobre Victor Santos

Jornalista pela Unesp/Bauru.

Publicado em 1 de julho de 2011, em Avulsas e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. isso nao ajudo em nada

  2. eu nao tenho preconceito eu acho um absurdo com quem tem preconceitos

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