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Direito Internacional Humanitário age em favor dos jornalistas em zonas de guerra

Por Maria Clara Lima (4º ano/UNESP)

Foto: Vinicius Gorczeski (4º ano/Metodista)

Sandra Lefcovich, representante da CICV no Brasil.

“O mais seguro é não partir” diz Sandra Lefcovich, representante do Comitê Internacional da Cruz Vermelha no Brasil, em palestra no 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

O jornalista que está, ou irá, a regiões de conflito precisa ter acesso a medidas de proteção. Conhecer seus direitos e deveres, além de saber como agir nestas situações de conflito armado, são atitudes essenciais até mesmo para a própria sobrevivência, comenta Lefcovich.

A palestrante lembra que ao se descolar para uma zona de conflito, o jornalista ou freelance deve se preparar para enfrentar os perigos de um conflito. Cursos de primeiros-socorros, equipamentos especiais e noções do Direito Internacional Humanitário podem assegurar que o repórter não seja ferido – ou até morto – em uma guerra. “Ninguém deve viajar sem seguro de vida, por exemplo”. Outras medidas são essenciais, como por exemplo, não contar com cartões em hipótese alguma; ter sempre alguns dólares na carteira; alugar telefone por satélite; comprar créditos suficientes para o uso intensivo de celular; ter o telefone de ONG, órgãos oficiais e fontes; e manter contato constante com os editores.

Como funciona o Direito Internacional Humanitário

O Direito Internacional Humanitário (DIH) é parte do Direito Internacional e dos Direitos Humanos.  A Cruz Vermelha Internacional é responsável pela manutenção do DIH e aplicação dos Direitos em zonas de conflito. Por ser uma organização filantrópica, o CICV procura restringir a participação majoritária das Nações para que o órgão não se sinta coagido a atender certas necessidades. Hoje em dia, em casos de conflitos, a Cruz Vermelha Internacional mantém o respaldo da comunidade internacional, enquanto a ONU perde a credibilidade com o tempo.

Para contar com o DIH, o jornalista deve estar fora da proteção dos militares. Sandra Lecovich lembra que o trabalho da CICV é para civis, e por isso, quem estiver cobrindo conflitos na condição de jornalista incorporado as forças armadas não será atendido pelo Comitê.  O DIH serve como interlocutor da paz, e estabelece o diálogo entre as partes beligerantes, no intuito de assistir as vítimas dos conflitos.

A assimilação cultural e a mudança do texto em relação a alguns assuntos é uma constante para o CICV, garantindo assim a interculturalidade. Para assegurar o dialogo, a Cruz Vermelha age também como Crescente Vermelho – nas Nações islâmicas. A mudança do emblema garante a identificação entre o Orgão e o povo.

A palestra Medidas de proteção para jornalistas em cobertura de conflitos armados foi realizada das 9:00h às 12:30h de 30 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Os palestrantes foram: João Paulo Charleaux  (e-mail: jpcharleaux@gmail.com),  Andrei Netto  (e-mail: andrei.netto@grupoestado.com.br –download da apresentação) , Sandra Lefcovich(e-mail slefcovich@icrc.org – download da apresentação) e Rodney Pinder (e-mail: pinder.rodney@newssafety.org)

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Difícil relação entre imprensa e governo compromete qualidade da informação na Argentina

Por Maria Clara Lima (4º ano / Unesp)

Foto: Lina Ibañez (publicitária)

Falta de credibilidade gera crise nos meios de comunicação do país

Gabriel Michi (Fopea/Argentina)

“A desconfiança é generalizada”, relata Gabriel Michi, do Fórum de Jornalismo Argentino. Segundo ele, os argentinos estão saturados da militância política nos meios de comunicação e os jornais não confiam nas fontes governamentais. “É um ciclo. O governo não confia nos jornais, os jornalistas estão submetidos as agendas dos veículos e a população à falta de credibilidade de seus periódicos”. Gabriel Michi lembra a crise no jornalismo argentino é um reflexo da história recente do país.

Na década de 1990, o presidente Carlos Menem assumiu uma relação de troca com os meios de comunicação, quando lhes eram favoráveis, concedia favores aos veículos argentinos. O presidente do Partido Peronista tinha como missão resgatar a Argentina da profunda crise economia que assolava o país. No final de seu mandato, em 1999, os jornais iniciaram uma cruzada para que ele não se reelegesse, tendo em vista a situação insustentável que culminou na moratória da dívida externa do país. Durante a “Era Kirchner”, que começou em 2003 com a eleição de Néstor Kirchner, e continua com o mandato de Cristina Kirchner, o relacionamento da imprensa com o governo tornou-se insustentável, e para defender suas receitas, os veículos de comunicação passaram a se submeter cada vez mais a publicidade. De 2003 até 2010, as propagandas de empresas privadas aumentaram de 887 mil para mais de três milhões de dólares. Além disso, a publicidade do governo também cresceu, e passou de 15 mil para cerca de 150 mil dólares. “Se não há propaganda, seja ela oficial ou privada, não há jornal”, explica Hennmann, jornalista brasileiro e ex-correspondente da Folha de S.Paulo na Argentina.

Para piorar a situação, os jornais passaram a depender da agenda política da presidente e do jogo de poder entre o governo e a imprensa. Um exemplo disso é a relação conflituosa com o Grupo Clarín, que deliberadamente desaprova o Governo Kirchner.

Crise econômica e ética

A crise financeira argentina que começou no início dos anos 90 e se agravou em 2001, reduziu o poder de compra da população em torno de 50%. Por isso, a venda de periódicos no país caiu drasticamente, fazendo com que os jornais dependessem cada vez mais do dinheiro obtido pela venda de espaço publicitário.

Apesar da visível recuperação econômica do país, desde 2006 as oscilações no consumo de produtos jornalísticos mostram o reflexo da crise de confiança entre os meios e a população. “Apesar de a economia estar se recuperando, não há sinal de que os periódicos voltarão ao mesmo índice de vendas”, explica Michi. Nos últimos 10 anos, o jornalismo político na argentina vem sendo prejudicado pela relação conturbada entre jornais e órgãos oficiais.

O jornalista Gabriel Michi explica que a dependência econômica dos meios de comunicação às empresas, resultou na falta de credibilidade da imprensa que se tornou cada vez menos imparcial.  A opinião e militância saturaram as publicações e canais que agora enfrentam uma crise com a redução de sua audiência. O partidarismo dos meios de comunicação é excessivo naquele país, e os leitores chegam a classificar a imprensa como “militante”. Segundo ele, a exaltação de alguns jornais chega ao antiprofissionalismo, e o que se vê são denúncias e defesas, onde os interesses públicos acabam ficando em segundo plano. “Enquanto os indícios viram provas nas mãos de alguns repórteres, irregularidades passam despercebidas por outros. Esse tipo de cobertura prejudica a qualidade da informação, ninguém confia em ninguém”, desabafa.

Imprensa argentina tem visão parcial do Brasil 

O jornalista brasileiro Gustavo Hennmann, ex-correspondente da Folha na Argentina, descobriu logo que chegou ao país que não podia contar com as fontes oficiais para fazer seu trabalho. “A maioria dos jornalistas nem tenta mais contato com o Governo. Ficou impossível trabalhar com eles”. Hennmann falou da cobertura feita na Argentina sobre o Brasil. Para ele, a imparcialidade também faz parte da agenda do jornalismo internacional praticado no país. “Eles usam o Brasil como grande exemplo de sucesso, algo que eles deveriam ser. Exaltam a política brasileira e pecam na checagem”. Segundo o jornalista, a maioria dos jornais não podem financiar profissionais para trabalhar no Brasil, e a cobertura é feita quase que somente pela assessoria do governo brasileiro. “Desse jeito, fica difícil fazer uma apuração analítica e profunda”.

A palestra “Desafios da cobertura política na era Kirchner foi realizada das 14h às 12h30 de 1 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Palestrante:  Gabriel Michi (Fopea/Argentina) foi mediado pelo jornalista Gustavo Hennemann (Folha de S.Paulo) 

Participação dos patrocinadores no 6º Congresso

Ana Paula Navarrete e Laura Luz exibem as canecas que ganharam no estande da Band

Por Maria Clara Lima (4º ano/Unesp) e Victor Santos (2º ano/Unesp)

Foto: Michele Francisco (3º ano/Anhembi Morumbi)

Quem entra na sede da Universidade Anhembi Morumbi, onde acontece o Congresso, já nota a diferença. Neste ano, o espaço foi ocupado por empresas patrocinadoras. A maioria é formada por veículos de comunicação. Os estandes representam jornais, redes de televisão e portais de internet. De acordo com o presidente da Abraji, Fernando Rodrigues, “a importância de empresas de mídia patrocinarem o evento é enorme, pois dessa forma é reconhecido o valor do jornalismo investigativo”. De acordo com ele, o espaço também serve para que os participantes conheçam o trabalho desenvolvido por estes meios de comunicação, e possam entrar em contato com as empresas.  Estão neste espaço a “Folha de S.Paulo”, “O Estado de S.Paulo”, “Rede Bom Dia”, “Universo On Line”, “Rede Record”, “Rede Brasil Sul de Comunicação” e “Band”, da Rede Bandeirantes.

RBS: estande multimídia

A “Rede Brasil Sul de Comunicação” montou uma estrutura multimídia para ilustrar o trabalho desenvolvido pelo grupo. Na tela de LCD são transmitidas reportagens que se destacaram. Já os painéis foram montados com as principais séries de reportagens dos jornais que integram a empresa. Os iPads, mostram como a empresa trabalha com a interatividade nos seus meios.  “A ‘Zero Hora’ coleciona prêmios na categoria investigativa, é o nosso diferencial”, informa Lúcia Pires, editora de comunicação do jornal. Ela veio especialmente para divulgar o trabalho da empresa no Congresso. A interação com os participantes se dá de maneira direta: quem quiser conferir o material dos jornais do Grupo pode folheá-lo virtualmente pelos iPads: “estamos usando esta plataforma desde março desse ano, e o conteúdo, por enquanto, é de graça”, explica a editora.

Lúcia Pires comenta que, ao contrário da tendência global de queda nas vendas de periódicos, a “Zero Hora” vem crescendo cerca de 2% ao ano. Para Lúcia, a qualidade das reportagens conquista o leitor.  A “RBS” também participa do evento com palestrantes e ouvintes. Há o entendimento por parte da empresa de que o jornalista especializado precisa estar em constante atualização. É o caso da repórter Adriana Irion. Ela veio de Porto Alegre para assistir à palestra Investigação de Gastos Públicos, ministrada por Gil Castello Branco, da Associação Contas Abertas. Neste sábado deverá chegar ao Congresso outro repórter do Grupo, José Luis Costa.

Lúcia Pires diz que, além de trabalhar, quer assistir a palestras dos colegas. O repórter Daniel Scola é um dos que vai falar no painel Jornalismo de Emergência: a cobertura dos terremotos no Chile e no Japão, programado para esta sexta-feira, às 16h. No sábado, a diretora de on-line da RBS, Marta Gleich, vai participar da palestra A invenção da notícia? O que todo repórter deve saber sobre a expansão das novas mídias no país.

Band: 44 anos de história

A Band trouxe para o Congresso cinco telões em que são exibidos trechos da programação das suas mais de quatro décadas no ar. Quem para no estande tem a oportunidade de assistir a momentos que marcaram o jornalismo nos últimos quarenta anos, como, por exemplo, o debate entre Collor e Lula na primeira eleição direta depois do fim da ditadura militar.

Além de se informar, o participante ganha um presente: uma caneca personalizada. Dois caricaturistas se dividem na função de desenhar o rosto de quem visita o estande. Enquanto o artista faz a caricatura, é possível acompanhar a produção em outro telão. Depois de pronto, o desenho é impresso na caneca.

As estudantes de jornalismo Ana Paula Navarrete e Laura Luz, que vieram pela primeira vez ao Congresso, estão curtindo a novidade: “é o máximo, tá muito legal!”, comenta Ana Paula. Para Laura, os brindes dão uma animada no congresso. “Peguei todas as coisas que eles ofereceram: bloquinho, caneca, ecobag…”, disse.

A Rede Record , que também passa imagens da programação no estande,  distribuiu bloquinhos para os visitantes.

O UOL instalou uma central para carregar a bateria de equipamentos eletrônicos e uma TV que transmite informações sobre o portal em tempo real.

“O Estado de S. Paulo” está disponibilizando sua versão para iPad em tablets da Apple. Já a “Folha de S.Paulo” exibe as páginas de reportagens que ganharam destaque nos 90 anos do jornal e distribui exemplares diariamente pela manhã. A “Rede Bom Dia” também distribui o “Diário de S.Paulo” na área dos estandes.

As ações continuam durante todo o Congresso.

6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo

De jornalistas para jornalistas, o maior encontro do país.

Interessados poderão se inscrever nos dias do evento.

http://bit.ly/6congresso

Realizado anualmente desde 2005 pela Abraji, o congresso reúne jornalistas, estudantes e professores de jornalismo interessados nas melhores práticas jornalísticas e técnicas de reportagem.

A sexta edição do evento é organizada em palestras e workshops simultâneos, concentrados em um eixo temático principal: jornalismo on-line. Além disso, a programação de 2011oferece painéis sobre crime organizado, política, megaeventos esportivos, fundamentos da reportagem, técnicas de RAC (Reportagem com Auxílio do Computador) e outros temas.

Venha aprender com alguns dos melhores jornalistas do Brasil e do mundo.
Local: Universidade Anhembi Morumbi – Campus Vila Olímpia (Unidade 7)
Rua Casa do Ator, 275
São Paulo, Brazil

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O 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.