Marcelo Rezende
Por Géssica Brandino (jornalista)
Foto: Vinícius Gorczeski (4º ano/ Metodista)
Marcelo Rezende, repórter da “TV Record” e com mais de quarenta anos de carreira, é conhecido por tocar em feridas sociais. Já investigou de tráfico de armas a corrupção no futebol. Rezende ficou ainda mais conhecido quando entrevistou o motoboy Francisco Assis Pereira, o assassino em série que ficou conhecido como “Maníaco do Parque”, e mostrou o abuso de força da blitz policial no caso da Favela Naval, em Diadema, São Paulo.
Repórter: O que você acha da iniciativa do Congresso, que cria um espaço para pensar e discutir Jornalismo Investigativo?
Marcelo Rezende: A iniciativa é fundamental, porque tem muita gente começando na profissão e isso ajuda a desmistificar a coisa glamourosa que o jornalismo investigativo parece ter. Nós sabemos que esse é um trabalho difícil, complicado e, fundamentalmente, um trabalho onde não é que a sua vida esteja em risco, mas tudo está, até a vida daquele que você vai denunciar. É um trabalho longo e que as empresas nem sempre têm capacidade financeira de manter. Você tem que manter um repórter, quando é televisão é pior, porque tem que manter uma equipe inteira, durante meses, aparentemente sem fazer nada.
Repórter: O que você acha que um jornalista que deseja seguir a área de investigação deve ter?
M.R: Ele tem que ter um grande poder à frustração. Saber quando parar a investigação quando as coisas não se casam. Aí se sofre muito, porque você imagina que está no caminho certo e, de repente, perdeu meses e o caminho era outro. Então, trabalhar com a frustração é fundamental para quem quer seguir por esse caminho.
Você que já está nesse caminho há muito. O que te move e faz seguir dentro do jornalismo investigativo?
M.R: Olha… isso brotou na minha vida de maneira natural. Eu nunca pensei em fazer isso, assim como eu nunca pensei em ser jornalista. Meu projeto de vida era ser mecânico. Eu tinha outra ideia para mim. Casualmente, entrei numa redação de jornal. Fui ajudar um sujeito, ele era diretor do jornal, me convidou e eu fiquei. Eu tinha 17 anos de idade. Acredito que o que me move e me faz permanecer é o fato de acreditar que este é um trabalho de utilidade pública. A gente trabalha para tentar melhorar a sociedade, não nós, jornalistas investigativos, mas o conjunto todo daquilo que apresentamos, seja judiciário ou policial, todos trabalhando para melhorar a sociedade. Acho que isso é quase uma missão.





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