O desafio de cobrir violência pela TV
Por Victor Santos (2ºano/ Unesp)
Foto: Luana Copini (4º ano/ Mackenzie)
“Há situações em que ou vai ou racha”. Foi assim que a repórter do SBT Mônica Puga definiu o trabalho de quem realiza cobertura da violência em tempo real. Esse foi o tema da palestra dela e de Bette Lucchese (Globo), mediada pelo editor-chefe do RJTV 2ª edição, Marcelo Moreira.
O foco da mesa foi a cobertura da pacificação do Complexo do Alemão, o maior conjunto de favelas do Rio de Janeiro, ocupado em uma megaoperação no dia 28 de novembro de 2010. A Força Tarefa incluiu policiais militares, civis e o exército.
As duas repórteres fizeram uma contextualização dos acontecimentos que antecederam a ocupação, recordando desde a morte do repórter Tim Lopes, em 2002, até a primeira invasão policial no complexo, em 2007. “A gente estava preparada para ver uma guerra sangrenta”, comentou Bette, “os equipamentos utilizados (tanques de guerra, as próprias Forças Armadas) é que chamaram a atenção”.
Puga, que está no SBT Rio há cinco anos e meio, exibiu quatro vídeos de sua cobertura antes da ocupação, mostrando entrevistas que fez com bandidos armados e sem o uso de colete a prova de balas. “Eu sabia que podia entrar e sair da favela, porque eles queriam falar”, contou. De acordo com ela, quando um helicóptero da PM foi derrubado pelos traficantes em outubro de 2009, reforçou-se a ideia de que “ninguém podia mais conviver com aquilo”.
Lucchese e o moderador comentaram sobre a cobertura da TV Globo na ocupação, desde a invasão da Vila Cruzeiro, em 25 de novembro, até a tomada do Complexo de Alemão, três dias depois. O trabalho envolveu 200 profissionais, horas ininterruptas de transmissão e entradas ao vivo por insistência, além de uma madrugada inteira de espera pela ocupação. Entre as imagens mais impressionantes, está a fuga em massa de bandidos da Vila Cruzeiro para o Alemão.
Lucchese e Puga comentaram também as dificuldades durante a cobertura, como, por exemplo, ver crianças baleadas. “Com experiência, a gente se acostuma com as situações”, disse Lucchese. As jornalistas fizeram questão de frisar que a ocupação é apenas uma etapa, concordando com a fala de Moreira na abertura: ainda é necessário um grande investimento social para recuperar o Complexo do Alemão.
A palestra Cobertura de violência em tempo real – a ocupação do Complexo do Alemão foi realizada das 11h às 12h30 de 2 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). Palestrantes: Bette Luchese (TV Globo) e Mônica Puga (SBT). Moderador: Marcelo Moreira (TV Globo/Abraji)
Publicado em 2 de julho de 2011, em Corrupção e crime organizado e marcado como Abraji, cobertura, Complexo do Alemão, Globo, SBT. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.





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